Poesia minha

Em retalhos
O amor nunca está completo
Cada vez mais pede um pedaço
Eu vou cedendo o espaço
O amor nunca me deixa completo
Vai fazendo de mim uma rede de retalhos
O amor nunca me deixou completo
Nunca cedeu aos meus caprichos
Eu que obedeço a sua trilha
O amor nunca me deu companhia
Pesam em minha lembrança as dores da paixão
O amor nunca me deu a mão
O amor nunca me fez completo
Sempre peço asilo
Sempre peço solidão
Tentando correr sozinho nessa vasta paisagem de desolação
O amor tirou e mim o perdão
O amor sempre apareceu com um nome de paz
Mas me deu selos de guerras
E me fez ver o novo mundo cedo demais
O amor me deixou em pedaços
Jogado ao mar
Meu corpo em sargaços

07:05 h.
04-01.2007

Bem alto

Quem sabe você não erre
Que sabe você não tropece
Eu só quero estar bem alto
Não como uma águia
Apenas como um sonhador
Bem perto do céu
Mas não o céu da igreja
Ou de qualquer religião
Quem sabe você é amado
Quem sabe você é perdoado
Eu só não quero cair
Quando estiver bem alto
Bem perto do céu
Ao descobrir que tudo é ilusão
E não poder suportar esse peso
Tudo era ilusão…
Bem alto e simplesmente pesado
Senti o vazio do ar
Em algum lugar perto de você
Bem alto, mas era ilusão.
Quando encontrei você
Oito de novembro de 2006

Assim que é

É assim que eu sou meu bem!
E se você me acha louco demais
Não ache que isso dói em mim
Porque quando você vier com aquela conversa
De querer dar um tempo em nós dois
Descobrirá que eu já acabei faz tempo
Eu não sou de esperar por meias verdades
Prefiro fumar o meu Marlboro
A chutar lata por aí
Não arrastarei pelos cantos o meu coração
Segurado por uma cordinha para vê se alguém apanha
Para que eu possa sentir alguém perto de mim
Eu não preciso de você aqui
Já enchi a cara, a ponto de esquecer de mim.
Estranhei todo mundo e hoje eu não estou afim
É assim que é!
Vou ouvir um pouco de Chico Buarque,
Sentar na calçada, igual à semana passada.
Como se não houvesse vida, para eu viver.
Lendo Ginsberg, e sabendo que antes do fim.
Vem um anoitecer

21/12/2006
8:10 h

Street Boy

Um garoto de calçada
Com aquela sabedoria de calçada
De sentir o vento levantando poeira
E de sorrir, vadio, entre os amigos.
Falando de qualquer coisa
Porque tanto faz
Eu ainda tinha um pouco de bondade
Hoje eu olho desconfiado
Antes eu simplesmente tinha medo dos que passavam
Hoje eu tenho raiva,
Receio, agonia e náusea.
Mas hoje eu não me iludo mais com aquele falso conforto
Eu sei que não vale a pena mais
Eu sei que é tudo falso
Que não há nada para mim
Mas ainda estou sentado
Incomodado, mas sentado.
Como se fosse algo satisfatório
Quando eu não me sinto nem sequer vivo
Mesmo ao seu lado

Único

Só um lugar para ler um bom livro
Redescobrir o prazer da leitura
Como antes
Que até no balanço do ônibus eu viajava
Para outros lugares
Como se não fosse parar mais de beijar aquelas palavras
Quero um lugar para poder sentir o prazer de um livro inteiro de Pessoa
De uma vez consumindo o meu ser
Longe da multidão
Escondido entre a vegetação de palavras
Entre os ramos secos, espinhosos.
E entre os ramos verdejantes de cada rima
De cada verso escrito e lido
Como se tudo fosse escrito a partir da minha leitura
Saudade de descobrir no mundo longe da carne o prazer do devaneio
Os pecados da carne somem diante do texto
Eu escrevo e sumo diante do papel
Ou da tela ou do livro que leio
Reescrevendo com minhas idéias
Com a tinta dos pensamentos

19 de dezembro de 2006

Âmago

Os insetos vão procurando a luz
Envovem-na, aquecendo-se
E vão morrendo aos poucos
Suas asas caem
Como as dos anjos caídos daquele céu de plástico
Os poetas são loucos que se alimentam de fantasia
Iludindo com palavras repetidas
Com frases que muitos escreveram de outra forma
Ser poeta é isso
Viver de correntes
Os poetas não têm razão
A única certeza é a do abraço do suicidas
Secos de vida e de luz
Como insetos e anjos caindo
As linhas vão aceitando os versos
Os olhos também e ou ouvidos
Um dia as asas dos santos serão erguidas aos céus.
Só uma certeza debaixo do sol:
A noite vem com se lençól fechar meus olhos
Frio…

19 de dezembro de 2006

Lembre de mim

A Cynnara James

Não mais escrverei que és bela
Escrever-te-ei mais que rima
Mais que vã sensação
O bom é viver o camonho
e se precisar de companhia
Sirva-se de minha presença
Já tens minhas orações de viva em paz
e fique bem
Em mim estás entre um beijo e um abraço
Entre o amor e o seu laço
Entre a bondade e um sorriso
Realmente me fazes sentir bem
És o motivo do meu sorriso mais bobo
Porém o mais feliz
Nas estante das minhas companhias
deixastes pouco espaço aos demais
não há mais espaço para quem quiser chegar
e ainda beijarei a tua boca
mesmo não sem do de bom tom roubar um beijo
Ainda te sentirei bem perto
ainda tirarei teu batom
e se for leviano
use a tua mão em meu rosto
Ainda beijo a tua boca
rio em minha visão
que chama outro rio
então lembrai de mim
Que boca!

Século errado para ser feliz

Sinto ser do teu desagrado
e é tão fútil a minha dor
Não h´aoutro desgraçado
mais contente por morrer de amor
se é para chorar, eu choro,
imploro, afogo
jogo pedras ao mar
Drummond e Cabral partiram para o céu dos poetas
e tenho pouco feijão a catar
Faço tudo o que psso para que a arte em mim possa provocar
Depois da porta vem o portão
e depois da vida vem o caixão
e não choro não
E minha mãe diz: ´´-Seja feliz!“
Oh, mãe…

Anúncios

Um pensamento sobre “Poesia minha

  1. Amanda disse:

    Cada umma melhor que a outra… rs Beijos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s