Silencioso

Parou diante do espelho. A imagem, tranquila, soando tão sórdida.

Era noite. E o diabo aproveitava a decadência daquele momento. E um dia ela cometeria suicídio. Gorda e bela, além do ideal de peso. Querendo ver a imagem mais delgada. E se alimentando.

Os homens e o diabo chegam a inpirar a mais plena incompreensão. Quem é mais, quem é menos?

Aqui nem respostas sãptão simples quanto sim ou não. E as perguntas podem ser somente um grande vazio.

O que fazer? Pensava ela. Nua. Olhando o quanto seu corpo estava diferente. Anos de peso se acumulando e toda aquela dor. Queria até acreditar que só importava o que havia por dentro, mas o que havia por dentro era tão pior e repulsivo… Autopiedade, pura covardia. Mais um pouco daquela pizza e uma dose a mais daquele sorvete. Sim, assistindo àquele filme das duas da manhã. Por que não?

Já era manhã. As migalhas no sofá e no chão. Uma barata passando lá perto da parede. Levantou, caminhou um pouco até o espelho. A imagem, tranquila, soando tão sórdida. Uma barata passando lá perto da parede.

Outro texto do meu livro de contos Dos homens e do diabo: https://0posmoderno.wordpress.com/2007/12/06/98/

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Puta sagrada

Leca nunca tinha feito o tipo pura. E talvez por isso tenha sido mais forte que qualquer outra.

Com 13 ela já havia perdido a virgindade com o primo dela. Ela me contou muito sobre a sua vida. O meu erro foi ouvir tudo aquilo.

Ela visitou todos os meus desejos. Lembro de quando eu disse que tinha muito tesão em ver uma garota urinando e lá foi ela. Pediu para sair do carro e ali, no meio do asfalto, abriu as pernas e foi afastando a calcinha coms os dedos. O farol do carro iluminando toda aquela boceta… Que cena!

Leca era a tentação vestida, com carinha de anjo. E a boceta mais perfeita.

Continua…

Parte 1: https://0posmoderno.wordpress.com/2008/01/07/puta-sagrada/

Poema enviado por um amigo a mim pelo orkut

SECOS E MOLHADOS

Vem chegando o crocodilo,
dando pinta, de jacaré
balancando sua calda pra calcinha que quiser

Vem andando o lobisomem
vem chegando como quer
trazando o igual que se faz
se diferente
pra se mostrar noite a dentro
aos olhos cegos da gente

Rego Junior

Poema feito inteiramente dedicado a você Josi , quando li em seu perfil, sobre a sua bissexualidade e isto me exigia um poema e só agora o mesmo saiu, é totalmente seu, espero que goste e que você não vire nem jacaré, muito menos lobisomem

Um grande abraço, irmão

Puta sagrada

Nessa história não tem detetive. Nem mocinho. é tudo safado, não bandido. Safado sim. Porque todo mundo é safado. Sacanagem pura.

Ninguém sabia sua idade. Não se pergunta muita coisa a uma puta. Quer-se só foder. Para que mais. Tempo é dinheiro! E puta gosta de dinheiro.

Leca era da noite há três anos. Já tinha ponto certo, fixo, diferente do começo difícil. Primeiro a grana. Depois o costume de estar na noite, depois veio o gosto pela foda. Aí fodeu! P´ra largar só desintoxicando e a moça não queria. Grana fácil o caralho. Vocês acham que ser puta é fácil? Vida fácil uma porra!

Ah, ela gostava de algumas fodas. Ela gostava de chupar, de dar aquele cu e aquela boceta.

Eu era um cliente daqueles que querem a mesma puta sempre. Estava satisfeito com Leca. Até que veio aquela noite… Onde descobri ser um ser com desejos estranhos, mórbidos.

Continua…

Parte 2: https://0posmoderno.wordpress.com/2008/01/21/puta-sagrada-2/

E o beijo dela desenhado num guardanapo…

A puta chegou. Era uma nova invenção. Puta a domicílio. Só era entrar em um site, página de orkut, jornal, telelista e lá estava: puta de todo o tipo. Tipos de puta. Seria ótimo ler o Luís Fernando Veríssimo escrevendo sobre os tipos de puta.

De volta à puta… Ela estava à porta.  Observei pelo olho mágico. Era bela. Não parecia uma puta. Pedi que não parecesse uma puta. Não gosto do tipo puta. Não me entendam mal.

Sobre o uso da expressão, da pornofonia ou palavrão, não se escandalizem, há muito faz parte do meu vocábulo e expressão. É até natural escrever.

Enfim, era bela e estava lá, disponível. Um preço e ela seria minha por uns instantes. Sem compromisso.

Abri a porta. ela não trazia nada consigo. Estranhamente.  Era relamente muito bela a puta.

Retirei o óculos do meu rosto, cocei a cabeça levemente, limpei os óculos e os pus novamente no rosto, calmamente.

Estávamos lá, sentados. Começamos a conversar. Gosto de preliminares. Da tensão. De pensar, planejar, sentir o tesão forçando o pênis, a glande, a transpiração.

Olhava para ela. Bebemos e conversamos. Ao abrir a porta fui logo dizendo que queria primeiro conversa, sentir-me a vontade, pois a situação era-me novidade.

-Sem pressa para o sexo.

Ela sorriu e perguntou se podia fumar e eu fui logo oferecendo o isqueiro.

Então estávamos lá, sentados, fumando e bebendo.  Aquelas grandes almofadas – chamo-as de pufs – onde sentamos, uma de frente para outra.

Ela fumava e perguntava coisas e respondia coisas. Até que comentou algo meio intelectual e perguntei se ela gostava de ler.

– Uma puta deveria saber gostar de ler, para saber quando um homem deve gozar dentro ou fora da sua boca.

Nunca entendi o que quis dizer, só ri.  Aí a conversa virou uma putaria intelectualóide.

– Nietzsche? claro! Toda puta deveria conhec~e-lo.

Eu me chocava com a fluência e com as afirmações. Putas não nascem putas, tornam-se putas. Aquela foi a melhor puta que eu transei. Claro que depois dela eu quis outras. Foi como encontrar uma amiga e transar com ela, sem culpa, com cumplicidade.  Foi uma bela noite.  Caralho e boceta. suor, secreções, esperma.

Pelo orkut mantivemos contato. Masturbo-me para ela ainda. Ela sabia. Falamos sobre isso muitas vezes. Falávamos sobre tudo: putaria, política, filosofia, sexo, tudo parecia o mesmo assunto. Um dia eu descobri ou fui achando, sentindo que estava apaixonado. que choque! Era uma puta! Era uma nova paixão. E como chupava. E ainda lia. E ainda mais Nietzsche.  Mas nunca pensei que poderia me apaixonar por uma puta.

Como poderia intitular este texto? Hum…

Quando falei para ela, ela riu. Brincou um pouco. mas depois ficou séria. Fumou um cigarro e chorou. Depois ergui a grana, pus no centro e transamos. Quando acordei, ela não estava mais. Havia deixado o dinheiro e os brincos. E o beijo dela desenhado num guardanapo.

Gastrite Crônica

ÂÂÂÂÂÂÂÂÂÂÂH

Gastrite crônica…

Helicobacter Pyroli negativo.

É melhor gastrite que câncer. Não é? Mas não páro de pensar naquele cigarro, qualquer cor , mas a preta é a melhor. Cigarros pretos. Já fumou cigarro preto?

Coca Cola. Café. Cigarros. Cerveja. Vinho.

Mais alguns minutos para uma úlcera. Aí quem sabe eu me leve mais a sério.

Mas é que eu me sinto bem, é. Eu tenho gastrite crônica.  Enxaqueca crônica. Dores na ATM. Transtorno obsessivo compulsivo. Síndrome neurotípica. Sociopatia. Transtorno bipolar.

Quem sabe eu não seja internado qualquer dia desses com uma crise aguda?  Eu romantizo muito a autodestruição, algumas doenças. Síndrome do Mal do Século. Ultraromantismo.

Mais um pouco e quem sabe não transborde o líquido mucoso para dentro do papel, incandescente? O suco gástrico da minha visceralidade!