E o beijo dela desenhado num guardanapo…

A puta chegou. Era uma nova invenção. Puta a domicílio. Só era entrar em um site, página de orkut, jornal, telelista e lá estava: puta de todo o tipo. Tipos de puta. Seria ótimo ler o Luís Fernando Veríssimo escrevendo sobre os tipos de puta.

De volta à puta… Ela estava à porta.  Observei pelo olho mágico. Era bela. Não parecia uma puta. Pedi que não parecesse uma puta. Não gosto do tipo puta. Não me entendam mal.

Sobre o uso da expressão, da pornofonia ou palavrão, não se escandalizem, há muito faz parte do meu vocábulo e expressão. É até natural escrever.

Enfim, era bela e estava lá, disponível. Um preço e ela seria minha por uns instantes. Sem compromisso.

Abri a porta. ela não trazia nada consigo. Estranhamente.  Era relamente muito bela a puta.

Retirei o óculos do meu rosto, cocei a cabeça levemente, limpei os óculos e os pus novamente no rosto, calmamente.

Estávamos lá, sentados. Começamos a conversar. Gosto de preliminares. Da tensão. De pensar, planejar, sentir o tesão forçando o pênis, a glande, a transpiração.

Olhava para ela. Bebemos e conversamos. Ao abrir a porta fui logo dizendo que queria primeiro conversa, sentir-me a vontade, pois a situação era-me novidade.

-Sem pressa para o sexo.

Ela sorriu e perguntou se podia fumar e eu fui logo oferecendo o isqueiro.

Então estávamos lá, sentados, fumando e bebendo.  Aquelas grandes almofadas – chamo-as de pufs – onde sentamos, uma de frente para outra.

Ela fumava e perguntava coisas e respondia coisas. Até que comentou algo meio intelectual e perguntei se ela gostava de ler.

– Uma puta deveria saber gostar de ler, para saber quando um homem deve gozar dentro ou fora da sua boca.

Nunca entendi o que quis dizer, só ri.  Aí a conversa virou uma putaria intelectualóide.

– Nietzsche? claro! Toda puta deveria conhec~e-lo.

Eu me chocava com a fluência e com as afirmações. Putas não nascem putas, tornam-se putas. Aquela foi a melhor puta que eu transei. Claro que depois dela eu quis outras. Foi como encontrar uma amiga e transar com ela, sem culpa, com cumplicidade.  Foi uma bela noite.  Caralho e boceta. suor, secreções, esperma.

Pelo orkut mantivemos contato. Masturbo-me para ela ainda. Ela sabia. Falamos sobre isso muitas vezes. Falávamos sobre tudo: putaria, política, filosofia, sexo, tudo parecia o mesmo assunto. Um dia eu descobri ou fui achando, sentindo que estava apaixonado. que choque! Era uma puta! Era uma nova paixão. E como chupava. E ainda lia. E ainda mais Nietzsche.  Mas nunca pensei que poderia me apaixonar por uma puta.

Como poderia intitular este texto? Hum…

Quando falei para ela, ela riu. Brincou um pouco. mas depois ficou séria. Fumou um cigarro e chorou. Depois ergui a grana, pus no centro e transamos. Quando acordei, ela não estava mais. Havia deixado o dinheiro e os brincos. E o beijo dela desenhado num guardanapo.

2 pensamentos sobre “E o beijo dela desenhado num guardanapo…

  1. Daniel disse:

    Caralho.
    Que texto é esse ?
    Bom demais.
    E esse final então ? Lindo… muito lindo.
    Abraço e virei fã.
    inté.

  2. Josi Vice disse:

    Obrigado Daniel
    sempre é bom saber q meu trabalho está sendo apreciado
    vlw

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s