Literatura Erótica

Etimologicamente, erotismo deriva de Eros, o deus do amor; pornografia deriva da palavra porno, que designa a prostituta. São realidades qualitativamente diversas.
Segundo os erotólogos modernos, o erotismo é a espiritualização da carne e sua conversão em cultura. Isso distingue a literatura erótica da pornografia vulgar.
No meramente obsceno, a carne permanece tristemente encerrada em sua imanência; a pornografia é o signo objetivo do fracasso em transcender essa imanência.
Ao contrário, a transcendência é a dimensão natural da literatura erótica.

Safo  escrevia belos poemas, Atribue-se à Astianassa, amiga de Helena de Tróia, um tratado sobre o erotismo. A história da literatura está repleta de “autoras” eróticas inventadas por homens, talvez por fetiche ou por ser um fato bastante atraente uma mulher escrever sobre sexo.

A exaltação do sensual, a expressividade que excita, a volúpia dos leitores instigada pela imaginação do autor ou autora está na Literatura Erótica em uma diversidade de formas.

A Literatura Erótica já foi muito perseguida e hoje ainda é tabu. Muita coisa foi destruída.

Em é Minha Vida Secreta, de Henry Spencer Ashbee, um comerciante britânico burguês, que viajou pela Europa, Ásia e África. No livro, ele descreve a moral e os costumes de 2500 mulheres de todos os países em que esteve e com as quais manteve relações sexuais. Porém, este catálogo incrível de aventuras carnais, como a maioria da literatura erótica, aponta o mito, inventa, deforma e exagera. Como Pierre Louys, famoso escritor francês do Século 19, que escreveu uma obra secreta de obscenidade incrível, e que só foi conhecida após sua morte.

Um grande escritor  erótico que chega ao ponto da pornografia é Sade. A lascívia de Marquês de Sade, mecheu com muita gente que se julgava em dimensões sacro-santas.

No livro A História da Literatura Erótica, Alexander Ruffs conduz a arte erótica desde a antiguidade aos autores contemporâneos. No prefácio afirma que a literatura erótica tem como objetivo reafirmar os desejos da carne.

O erotismo, ao se manifestar em novelas, contos, poemas, teatro e até mesmo em panfletos, traz uma luz sobre os costumes, sobre as políticas das diversas épocas, da permissão, da repressão, dos aspectos sociais, psicológicos e religiosos que fazem a totalidade dos seres humanos. Nos seus primórdios, o cristianismo admitia a literatura erótica, que herdaram dos filósofos estóicos, e que nem a castidade dos clérigos os impediam de desenvolver escritos. As proibições do Vaticano, do Index e de outras censuras vieram muito depois. E, por certo, em matéria de puritanismo, a Reforma Protestante foi muito mais dura que o catolicismo. Lembre-mos que a Bíblia tem muito de erotismo. Salomão em seus textos de amor cultua o amor erótico em seus Cânticos.

Aristófanes; Catulo e seus convites às mulheres de Lesbos; Ovídio com sua Ars Amatoria; o hiperbólico Satyricon de Petronio e o Asno de Ouro de Apuleyo; os trovadores; o Decamerón de Bocaccio; o genial Aretino; o cruel Rabelais, ávido por comida e de sexo; o sempre surpreendente Corneille; o erotismo oculto nos contos de Perrault; o moralista Marquês de Sade. Uma lista interminável de poetas tais como: Gautier, Baudelaire, Anais Nin, Aragon, Bataille, Dalí e Henry Miller. A fascinante Lolita de Nabakov. O japonês Yukio Mishima, que merece ocupar um lugar entre Wilde e Genet. O clássico Mil e Uma Noites. Os escritos de Apollinaire; Quevedo e a poesia erótica anônima do Século de Ouro. Na América Latina, alguns poemas de Neruda, as descrições dos corpos por Jorge Amado, o barroquismo de Severo Sarduy e o jogo erótico-lingüístico de Girodino. E porque não, Julio Cortázar.

A obscenidade e a pornografia, com intenções que transcedem tanto o erotismo como o nicho estético-literário nublam obras e trazem uma enorme gama de críticas quanto ao caráter artístico das obras. Torna-se várias vezes uma literatura comercial para pessoas que querem só um pouco de fogo para sua imaginação. A História de O na década de 70 vigorou; fracassou em sua primeira edição nos anos 50. O público norte-americano e europeu estava cansado da exacerbação do feminismo. Então, “A História de O” era uma resposta machista aos ideais feministas.

Os desejos ocultos dão o sabor dos textos, e enquanto houver tabus invioláveis, a Literatura alcançará no corpo e em seus segredos as mais poderosas expressões de liberdade reprimida.

A Literatura Sádica

A literatura tem o dom de tornar claras as questões mais complexas. Assim é com Sade. Nos subterrâneos do sexo, o prazer paga o pedágio da dor. Sade só escreveu nos períodos em que amargou penas de prisão. Quando estava livre, ocupava-se exercendo o sadismo.
Mas Sade nem sempre foi sádico. Chegou a escrever um livro de novelas chamado Estórias do Amor Negro, que apesar do título seguia o modelo de sucesso na época, na linha do Decameron. São contos eróticos, mas sem a marca sanguinária de Sade. Logo seus distúrbios de comportamento o levariam a tornar-se um inimigo da virtude, e então escreveu 120 DIAS DE SODOMA.

Esse livro permaneceu desaparecido por quase 300 anos. Sade morreu pensando que seu livro perdera-se na Bastilha, onde permaneceu preso por 2 anos. Foi um carcereiro, limpando a cela, que encontrou os minúsculos rolinhos de papel, onde estavam as mais de 300 páginas do livro.

Sade gabava-se de haver chegado ao limite com esse livro. Realmente, 3 séculos passados não se conhece outro texto de tanta contundência em sua descrição sobre os excessos da sexualidade. Sodomia (sexo anal), pedofilia e macrofilia (sexo com crianças e velhos), e coprofilia (sexo entre fezes) são algumas das variações que Sade retrata.

Anúncios

Um pensamento sobre “Literatura Erótica

  1. Paulo C disse:

    Realmente, Filosofia na Alcova, ainda hoje, causa grande choque. Para mim, uma grande referência.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s