Androginia

Androginia refere-se a dois conceitos: a mistura de características femininas e masculinas em um único ser, ou uma forma de descrever algo que não é nem masculino nem feminino.

Conceito de androginia humana

O andrógino é aquele(a) que tem características físicas e, em aditivo, as comportamentais de ambos os sexos. Assim sendo, torna-se difícil definir a que gênero pertence uma pessoa andrógina apenas por sua aparência.

Andróginos que prezam por sua androginia mormente utilizam de adereços femininos, no caso de homens, ou masculinos, no caso de mulheres, para ressaltar a dualidade. Dado isso, tende-se a pressupor que os andróginos sejam invariavelmente homossexuais ou bissexuais, o que não é verdade, uma vez que a androginia ou é um caráter do comportamento e da aparência individual de uma pessoa ou mesmo sua condição sexual psicológica, nada tendo a ver com a orientação sexual (ou identificação sexual), ou seja a atração erótica por determinado parceiro. Desse modo, pessoas andróginas podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, bissexuais ou assexuais.

Na psicologia, androginia é uma disforia de gênero rara que é responsável por uma condição psíquica em que o indivíduo se identifica como não sendo nem homem nem mulher, mas como uma pessoa de sexo mentalmente híbrido, o que se reflete em seu comportamento. A OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que haja em torno de seiscentos mil verdadeiros andróginos no mundo atualmente. Os Andróginos possuem por natureza aptidão artística e criatividade o que podemos verificar principalmente no meio musical. Além disso os portadores desse caráter psíquico/comportamental expressam valores de Q.I. elevados e uma percepção mais ampla dos relacionamentos humanos uma vez que analisam seu meio de convívio de vários pontos de vista diferentes. Estudos revelaram que os portadores de androginia são em sua grande maioria ansiosos e excêntricos. A androginia não é uma doença e consequentemente também não possui uma cura. O CID (Classificação Internacional de Doenças) não possui classificação específica para tal disforia.


Andrógino é, também, segundo o livro “O Banquete”, de Platão, uma criatura mítica proto-humana. No livro, o comediógrafo Aristófanes descreve como haveria surgido os diferentes sexos. Havia antes três seres: Andros, Gynos e Androgynos, sendo Andros entidade masculina composta de oito membros e duas cabeças, ambas masculinas, Gynos entidade feminina mas com características semelhantes, e Androgynos composto por metade masculina, metade feminina. Eles não estavam agradando os deuses, que os resolveu separar em dois, para que se tornassem menos poderosos. Seccionado Andros, originaram-se dois homens, que apesar de terem seus corpos agora separados, tinham suas almas ligadas, por isso ainda eram atraídos um por o outro. O mesmo ocorre com os outros dois. Andros deu origem aos homens homossexuais, Gynos às lésbicas e Androgynos aos heterossexuais. Segundo Aristófanes, seriam então dividos aos terços os heterossexuais e homossexuais. Fica evidente que não se consideravam os bissexuais nesse mito…

Um pensamento sobre “Androginia

  1. maria José disse:

    O mito do andrágino está patente nos deuses e no homem primitivo, e Cristo seria andrógino, é o mito da totalidade, da perfeição, que se perde com o pecado de Adão e Eva, que foram lançados na terra, e foi a divisão, a fractura do ser. E Fernando Pessoa irá recuperar esse mito da androginidade, não quer ele ser tudo, pois ser tudo
    é a única possibilidade de se relacionar com os outros e com o cosmos, na senda de Iung, segundo ele, todos os seres são bissexuais, somos determinados por arquétipos, como os que moldam o nosso ser, como o princío do animus e da anima, que estruturam o homem e a mulher, anulando-se um deles, a personalidade ficará comprometida, esvaziada de uma das partes bem significativa, já Platão fala no seu Banquete, da ânsia de o homem procurar sempre a sua metade, que perdeu e que sente que existe… Essa ideia da unidade, a gente sente que é mentira, é só olhar a natureza, na sua biodiversidade. Aliás, não nos sentimos tão múltiplos , tão diversos, tão diferentes, para os outros, somos alguém, que não nos reconhecemos, tão diferentes do que somos na nossa interioridade, como se dentro de nós, houvesse tantos eus, tantos duplos… Essa mania de sermos inteiros, de nunca mudarmos, quando a versatilidade é tão aliciante, viver sempre numa procura e encontrar sempre algo de novo, é fugir à rotina, hibernar é morrer um pouco, esta sociedade feita de hábitos, é de uam falta de criatividade, que nos sufoca… Por que precisamos de sínteses? A síntese encrava o ser, a anão ser que surja logo algo que ponha em causa essa aparente síntese, só assim a vida nos surpreende e nos encanta, nesta mobilidade serena e desafiante….

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s