Poesia

A poesia, ou género lírico, ou lírica é uma das sete artes tradicionais, através da qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos. O sentido da mensagem poética também pode ser importante (principalmente se o poema for em louvor de algo ou alguém, ou o contrário: também existe poesia satírica), ainda que seja a forma estética a definir um texto como poético.

Num contexto mais alargado, a poesia aparece também identificada com a própria arte, o que tem razão de ser já que qualquer arte é, também, uma forma de linguagem (ainda que, não necessariamente, verbal).

A poesia, no seu sentido mais restrito, parte da linguagem verbal e, através de uma atitude criativa, transfigura-a da sua forma mais corrente e usual (a prosa), ao usar determinados recursos formais. Em termos gerais, a poesia é predominantemente oral – mesmo quando aparece escrita, a oralidade aparece sempre como referência quase obrigatória, aproximando muitas vezes esta arte da música.

Os gêneros de poesia permitem uma classificação dos poemas conforme suas características. Por exemplo, o poema épico é, geralmente, narrativo, de longa extensão, grandiloqüente, aborda temas como a guerra ou outras situações extremas. Dentro do genéro épico, destaca-se a epopéia. Já o poema lírico pode ser muito curto, podendo querer apenas retratar um momento, um flash da vida, um instante emocional. Poesia é a expressão um sentimento, como por exemplo o amor. Vários poemas falam de amor. O poema é o seu sentimento expressado em belas palavras, palavras que tocam a alma.

Definição sucinta de poesia: é a arte de exprimir sentimentos por meio da palavra ritmada. Essa definição torna-se insuficiente quando se volta o olhar para a poesia social, a política ou a metapoesia. Com o advento da poesia concreta, o próprio ritmo da palavra foi anulado como definição de poesia, valorizando mais o sentido. O poema passa a ter função de exprimir sucintamente e entre linhas o pensamento do eu-lírico. A narrativa também pode fazer isso, mas a maioria dos poemas, com exceção dos épicos, não se baseia num enredo. A mensagem do autor é muito mais importante do que a compreensão de algum fato.

A poesia pode fazer uso da chamada licença poética, que é a permissão para extrapolar o uso da norma culta da língua, tomando a liberdade necessária para recorrer a recursos como o uso de palavras de baixo-calão, desvios da norma ortográfica que se aproximam mais da linguagem falada ou a utilização de figuras de estilo como a hipérbole ou outras que assumem o carácter “fingidor” da poesia, de acordo com a conhecida fórmula de Fernando Pessoa (“O poeta é um fingidor”).

A matéria-prima do poeta é a palavra e, assim como o escultor extrai a forma de um bloco, o escritor tem toda a liberdade para manipular as palavras, mesmo que isso implique romper com as normas tradicionais da gramática. Limitar a poética às tradições de uma língua é não reconhecer, também, a volatilidade da fala.

Estrofe

Parte de um poema consistindo de uma série de linhas ou versos dispostos em uma certa configuração regular, definidos por metrificação e rima que se repetem periodicamente. Uma estrofe tem geralmente um “pattern” regular de número de linhas, metrificação e rima, constituindo-se em uma seção da poesia. No entanto, uma estrofe irregular não é incomum.

Na corrente modernista encontramos estrofes livres, onde a preocupação maior é com o conteúdo dando-se menor importância à metrificação, à rima ou a qualquer outra configuração regular.

As estrofes podem ser classificadas como:

1 – monóstico

2 – dístico

3 – terceto

4 – quarteto (ou quadra)

5 – quintilha

6 – sextilha

7 – sétima

8 – oitava

9 – nona

10 – décima

Todas as estrofes que tenham mais de dez versos recebem a denominação de Irregulares.

Ritmo

Considerado por muitos como sendo a mística da palavra, o ritmo é uma alternação uniforme de sílabas tônicas e não tônicas em cada verso de uma composição poética.

O ritmo de um poema ainda tem muito a ver com a metrificação e a correspondência sonora provocada pela rima. Todo esse conjunto de elementos determina o ritmo da obra.

No verso livre a sonoridade rítmica obedece a um padrão próprio, não sendo governado por regras externas derivadas da alternação uniforme de sílabas tônicas ou de metrificação e rima, a essa modalidade dá-se o nome de Arritmia.

Elisão

A elisão é a supressão (na escrita ou na pronúncia) na vogal final de uma palavra e antes da vogal inicial da palavra seguinte. É usado para adequar o número de sílabas poéticas dentro de um verso.

Ex.: Copo-d’água  –  Pau-d’alho

Metrificação – Escansão

Metrificação é a técnica para se medir um verso. Em Português, ela se apóia na tonicidade das palavras, a escansão; contagem dos sons dos versos. É importante observar que as sílabas métricas diferem das sílabas gramaticais, observando-se as seguintes regras.

1. Contagem das sílabas métricas:

a) só contaremos até a última sílaba tônica de um verso.

1    2    3

Tal / a / chu / va

1       2     3

Trans / pa / re / ce

1       2     3

Quan / do / des / ce

(va/ce/ce – são as sílabas átonas e não entram na contagem poética)

b) Quando em um verso uma palavra terminar por vogal átona e a palavra seguinte começar por vogal ou H (que não tem som, portanto não é fonema, mas uma simples letra), dar-se-á uma elisão.

A/mo/-te, ó/ cruz/ no/ vér/ti/ce/ fir/ma/da

De es/plên/di/das/ i/gre/jas.

c) Sinérese: é a fusão de dois sons num só dentro da mesma palavra.

Lan/ça a/ poe/si/a

d) Diérese: o contrário da sinérese. Separa em sílabas distintas dois sons vocálicos dentro de uma mesma palavra.

1     2  3     4     5       6   7  8   9   10

Deus/ fa/la/, quan/do a/ tur/ba es/tá/ qui/e/ta

e) Hiato: é o contrário da elisão. Separa-se de dois sons interverbais (a sinérese e a diérese são intraverbais; a elisão e o hiato são interverbais). Conferir elisão e hiato no exemplo à seguir:

E/ va/ ga

Ao/ lu/ ar

Se a/pa/ga

No / ar.

2. Classificação do verso quanto ao número de sílabas:

a) Isométricos: são os versos de uma só medida. São classificados como:

*
monossílabos
*
dissílabos
*
trissílabos
*
tetrassílabos
*
pentassílabos (ou redondilha menor)
*
hexassílabos (heróico quebrado)
*
heptassílabos (redondilha maior)
*
octossílabos
*
eneassílabos
*
decassílabos (medida nova)
*
hendecassílabos
*
dodecassílabos (ou alexandrinos)

b) Heterométricos: são os versos de diferentes medidas, usados em um mesmo poema.

c) Versos livres: são aqueles que não obedecem a nenhum esquema.

Rima

A rima é um dos elementos do verso, mas não é essencial ou obrigatório. É apenas uma opção do autor para criar um vínculo de “melodia” e acentuar o final de um verso. Este recurso passou a ser usado na Idade Média pelos trovadores. Atualmente, existem composições poéticas onde as rimas não são usadas, que recebem o nome de Poesia Branca ou Poesia Solta.

As rimas são classificadas quanto à disposição nas estrofes, e de acordo com as classes gramaticais que a compõem. Veja alguns exemplos.

1 – Quanto à posição:

Emparelhada (ligando versos seguidos).

A

A

B

B

Cruzada (versos rimados se alternam).

A               A

B       ou      B

C               A

B               B

Abraçada (ligando dois versos iguais e dois diferentes).

A               A              C

B        ou      A        e      C

B               A              C

A               B              B

Interpolada (liga o primeiro e último verso, quando existem três ou mais entre as ligações).

A                A

B                B

B        ou       C

B                D

A                A

Seguida (liga dois ou mais versos sucessivos).

A                B

B        ou       B

B                A

2 – Quanto ao valor:

Pobre – Formada por palavras da mesma classe gramatical.

Existe   (verbo)

Teimoso   (adjetivo)

Aviste   (verbo)

Amoroso   (adjetivo)

Rica – Formada por palavras de classes gramaticais diferentes.

Espero   (verbo)

Vida   (substantivo)

Sincero   (adjetivo)

Querida   (adjetivo)

Rara – Formada por palavras de pouca rima, difíceis de se encontrar.

Cisne   (adjetivo)

Bosque   (substantivo)

Tisne   (verbo ou substantivo)

Quiosque   (substantivo)

Preciosa – Formada por artifícios gramaticais, ou junção de palavras.

Amá-la

Tranqüilo

De gala

Por certo fi-lo

Imperfeitas – Formada por palavras homógrafas (escrita igual ou semelhante, e significado diferente) e homofônicas (pronúncia igual ou semelhante).

Estrela   (Homógrafa)

Vejo   (Homofônica)

Vê-la   (Homógrafa)

Beijo   (Homofônica)

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A poesia do Brasil

É possível que a história da Poesia no Brasil comece com os Jesuítas, no primeiro século da colonização do Brasil (XVI); ou, mais exatamente, com José de Anchieta, jovem jesuíta das Canárias, evangelizador e mestre, que escrevia versos à Virgem nas areias da praia (é o que se conta).

A poesia do Brasil se desenvolveu ao longo dos séculos, passando por várias escolas até chegar ao momento atual, o chamado de pós-modernismo, onde não temos mais regras únicas para a produção poética, e a mesma segue o estilo de cada autor.

Poesia Existencial

Poesia cujos temas são grandes experiências da vida, como a angústia, a dúvida, a solidão, a velhice, a morte. No modernismo brasileiro, os poetas da chamada “geração de 1930” (Drummond, Murilo Mendes, Vinícius de Moraes), oferecem em sua obra grandes exemplos desse tipo de poesia. Drummond, sobretudo, tematiza em poemas célebres o impasse existencial (E agora José?),a velhice (Dentaduras duplas e Versos à boca da noite, por exemplo), a dúvida e o desengano filosófico (A máquina do mundo, etc.

Poesia Lírica

Poesia centrada na primeira pessoa do discurso (o eu lírico, que não deve ser confundido com o poeta) e cuja expressão é marcada por subjetividade. Geralmente, mas não sempre, o conteúdo do poema lírico são emoções do sujeito (o eu lírico) expressas em forma musical (por isso o nome lírica, que na Antigüidade indicava o acompanhamento musical da lira). O poema lírico tende a ser breve como a canção e obedece a um ritmo assossiativo (conexão emocional dos sentidos e das imagens).

Poesia Social

Poesia que tematiza questões políticas e sociais. No Brasil, grandes exemplos são, no Romantismo, a poesia abolicionista de Castro Alves e, no Modernismo, os poemas de Carlos Drummond de Andrade escritos na altura da Segunda Guerra Mundial e publicados em seu livro A rosa do povo (1945).

5 pensamentos sobre “Poesia

  1. An carolina disse:

    Eu nao gostei, pois pedi exemplos de poesias, e nao a explicação !

  2. gio disse:

    boas explicações, coisas que eu não sabia aí sobre história da poesia e tipos. Valeu!

  3. Marinaldo F. De Lima disse:

    Aqui eu conheci um mala
    Que veio lá de Corumbá
    Não veio de ônibus
    Veio de opala
    Ate aqui no Paraná
    Veio em noite clara
    È melhor pra viajar
    Vejam só que façanha
    Nem da pra acreditar
    Ele muito sem vergonha
    Até a polícia conseguiu enganar
    Seu carro estava recheado de … e…
    Que ele disse que era pra fazer chá
    O resto era mistura de pamonha
    Que ia fabricar
    O… era remédio pra diabete
    Que precisava controlar
    E o guarda com cara de valete
    Deixou-oele passar
    Aqui ele comprou um Chevette
    Que é pra policia despistar
    Mas, percebeu que era só uma marionete
    Então resolver parar
    E depois de um briga de canivete
    Quase virou omelete
    Então vendeu o Chevette
    E pra cuidar dos pivetes
    Comprou um mobilhete
    E no 3001 foi trabalhar

  4. Marinaldo F. De Lima disse:

    Todo pessoa na juventude
    Tem muita ambição
    E às vezes tomamos atitudes
    Sem saber a razão
    Já na minha mocidade
    Fazia bicos com fotografia
    Era bem conhecido na cidade
    Tinha trabalho todo dia
    Mas, nunca estamos contentes
    Eu queria muitas aventuras
    Tinha muitos planos em mente
    Eu queria fortuna, fama
    Queria viver na riqueza
    Ganhar muita grana
    Eu achava que ia ser moleza
    Então peguei minhas tralhas
    E parti por este mundão
    Mas tudo que consegui foi migalhas
    E muita solidão
    Já estava no norte do para
    E um imprevisto aconteceu
    Minha maquina parou de funcionar
    Toda a ambição desapareceu
    Lá não tinha manutenção
    Tive que manda La para a central
    Entrei em depleção
    Comecei a passar mal
    Ela não tinha prazo para ficar pronta
    E o dinheiro começou acabar
    Todo dia aparecia uma conta
    De desespero comecei a chorar
    E pra não passar fome
    Fui trabalhar em uma madeireira
    Aquilo não é serviço pra homem
    Só pra que faz besteira
    Sozinho e com fraqueza
    Embrenhava-me no matão
    De saudade e de tristeza
    As lagrimas caiam no chão
    Carregava tora no pescoço
    Até a serraria
    Que dureza seu moço
    Mas, agüentei com muita valentia
    Aquilo é muito desumano
    Não há equipamento de segurança
    Todo sicrano e beltrano
    Sobrevive só com esperança
    Tudo ali é só ilusão
    Temos que contar com a própria sorte
    Só quem ganha é o patrão
    E nos a sentença de morte
    Pense em trabalhar seminu
    Com os pés descalço
    Cercado por urutus
    Sem fazer movimentos falsos
    E lá no alojamento
    Dividimos espaços com cascavel
    No chão não tem cimento
    E o teto é o céu
    Fiquei três meses nesse sofrimento
    Até que veio a gloria
    Estava pronto meu equipamento
    Ai começa outra historia.

  5. Belo Post sobre o que é poesia.

    Se quiser, conheça meu Blog.

    Vou linkar vocês lá. Parabéns.

    http://brunochronnos.wordpress.com/

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