Renato Russo

Renato Manfredini Júnior (Rio de Janeiro, 27 de março de 1960 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1996), mais conhecido como Renato Russo, foi um cantor, compositor e músico brasileiro, membro da banda Legião Urbana.

É considerado um dos grandes compositores do rock brasileiro. Sua primeira banda foi o Aborto Elétrico (1978), a qual perdurou durante quatro anos, e terminou devido às constantes brigas que haviam entre ele e o baterista Fê Lemos. Renato herdou desta banda uma forte influência punk que influenciou toda a sua carreira. Nessa mesma época, aos 18 anos assumiu para a sua mãe que era bissexual, em 1988 publicamente.

Alguns anos mais tarde, em 1982, integrou a banda Legião Urbana. Nesta nova banda desenvolveu um estilo mais próximo ao pop e ao rock do que ao punk. Russo permaneceu na Legião Urbana até sua morte, em 11 de outubro de 1996.

Gravou ainda três discos solo e cantou ao lado de Herbert Vianna, Cássia Eller, Paulo Ricardo, Erasmo Carlos, Leila Pinheiro e 14 Bis.

Até os seis anos de idade, Renato sempre viveu no Rio de Janeiro junto com sua família. Começou a estudar cedo no Colégio Olavo Bilac, ainda no Rio. Nessa época teria escrito uma bela redação chamada “Casa velha, em ruínas…”, que nunca foi divulgada na integra.

Em 1967, mudou-se com sua família para Nova Iorque pois seu pai, funcionário do Banco do Brasil, fora transferido para agência do banco naquela cidade, onde foi introduzido à língua e cultura norte-americana.

Aos nove anos, em 1969, Renato e sua família voltam para o Brasil, indo morar numa casa na Ilha do Governador, Rio de Janeiro.

Em 1973 a família trocou o Rio de Janeiro por Brasília, passando a morar na Asa Sul. Em 1975, aos quinze anos, Renato começou a atravessar uma das fases mais difíceis e curiosas de sua vida quando fora diagnosticado como portador da epifisiólise, uma doença óssea. Ao saber do resultado, os médicos submeteram-no a uma cirurgia para implantação de três pinos de platina na bacia. Renato sofreu duramente a enfermidade, tendo que ficar seis meses na cama, quase sem movimentos.

Sua primeira banda foi o Aborto Elétrico, ao lado de Felipe Lemos e André Pretorius. Não durou muito, terminando por brigas entre Felipe e Renato. O Aborto foi a semente que deu origem à Legião Urbana, ao Plebe Rude e ao Capital Inicial, liderado por Dinho Ouro-Preto.

Renato Russo atingiu o auge de sua carreira como músico à frente da Banda Legião Urbana, sendo compositor de praticamente todas as letras. Foi na Legião Urbana que Renato passou a ser reconhecido como um dos maiores poetas do rock brasileiro, ele próprio temia a relação que foi criada com os fãs, alguns tinham verdadeira adoração pela sua figura. Os fãs Faziam trocadilhos com o nome da banda, “Religião Urbana”/Legião Urbana, Renato desprezava essa troca. A banda se desfez com a morte do músico (onze dias após sua morte, Dado e Bonfá decidiram parar a banda). Durante todo o tempo na Legião, estima-se que a banda tenha vendido cerca de 15 milhões de discos no país, além de continuar vendendo até hoje, há mais de uma década após sua morte.

Renato Russo morreu no dia 11 de outubro de 1996,em conseqüência de complicações causadas pela Aids (era soropositivo desde 1990), mas jamais revelou publicamente sua doença. Seu corpo foi cremado e suas cinzas lançadas sobre o jardim do sítio de Roberto Burle Marx.

Durante sua carreira teve quatro livros publicados e, após sua morte, três livros foram lançados sobre ele, sendo um deles “Conversações com Renato Russo”, que contém trechos de entrevistas mostrando o seu ponto de vista sobre o rock, a homossexualidade (incluindo a sua própria), o mundo, as drogas e a política. Do ponto de vista da análise técnica, isto é, da crítica literária (acadêmica), dois livros importantes foram lançados sobre as letras de Russo: “Depois do Fim”, de Angélica Castilho e Erica Schlude (ambas da UERJ), e, principalmente, “Poesia em Renato Russo – análise e interpretação”, de Eziel Percino (bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de Literatura Brasileira, bacharel em Teologia pelo STBI). Vale ser citado como bibliografia referencial os livros “O Trovador Solitário” e “BRock – O rock brasileiro nos anos oitenta”, ambos de Arthur Dapieve.

Discos solo

  • The Stonewall Celebration Concert (1994) – (250 mil cópias vendidas)
  • Equilíbrio Distante (1995) – (1 milhão de cópias vendidas)
  • O Último Solo (1997) (póstumo) (500 mil cópias vendidas)
  • Série Identidade: Renato Russo (2002) (coletânea)
  • Para Sempre (2002) (coletânea)
  • Presente (2003) (póstumo) (150 mil cópias vendidas)
  • O Talento de Renato Russo (2004) (coletânea)
  • Série Bis: Renato Russo – Duplo (2005) (coletânea)

Discografia com a Legião Urbana

Álbuns de estúdio

  • Legião Urbana (1985)
  • Dois (1986)
  • Que País É Este 1978/1987 (1987)
  • As Quatro Estações (1989)
  • V (1991)
  • O Descobrimento do Brasil (1993)
  • A Tempestade (ou O Livro dos Dias) (1996)
  • Uma Outra Estação (1997) (póstumo)

Coletâneas

  • Música para Acampamentos (1992) (coletânea de gravações ao vivo)
  • Mais do Mesmo (1998 ) (póstumo)

Trilhas

  • A Era Dos Halley (2007) (especial de tv gravado originalmente no ano de 1985-vários artistas-Legião Urbana participa com a faixa “O Senhor Da Guerra”) (póstumo)

Álbuns ao vivo

  • Acústico MTV Legião Urbana (1999) (gravado ao vivo em 1992) (póstumo)
  • Como É que Se Diz Eu Te Amo (2001) (gravado ao vivo em 1994 na turnê de “O Descobrimento do Brasil”) (póstumo)
  • As Quatro Estações ao Vivo (2004) (gravado ao vivo em 1990 na turnê de “As Quatro Estações”) (póstumo)

Videografia

  • Acústico MTV (1999) (gravado ao vivo em 1992) (póstumo)
  • Renato Russo Entrevistas (2006) (DVD lançado pela MTV com entrevistas guardadas durante 10 anos) (póstumo)
  • Acústico MTV Série Bis DVD+CD (2007) (gravado ao vivo em 1992) (póstumo)

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Paul Verlaine

´´Eu sou o Império no final da decadência / Que vê passarem os grandes Bárbaros brancos…“. Extraídos do poema intitulado Langueurs da coletânea Jadis et Naguère (1884)

Paul-Marie Verlaine nasceu em Metz, França, em 30 de março de 1844. Filho de um militar abastado, estudou no Liceu Bonaparte — hoje Condorcet — de Paris e mais tarde conciliou o trabalho numa companhia de seguros com a vida boêmia nos círculos literários parisienses. Em seus primeiros livros, Poèmes saturniens (1866; Poemas saturninos) e Fêtes galantes (1869; Festas galantes), ouvem-se ecos do romantismo e do parnasianismo.

Próximo a Bouillon, na Bélgica, o pequeno Paul passou felizes verões com sua família paterna, no meio das paisagens das margens do Semois, que alternam lavouras, pastos, matas fechadas e pântanos. Uma região de lobos esguios, murtas negras e azinheiras à qual ele voltará mais tarde com a alma atormentada. Quando, em 1873, esse recém-casado e pai de um filho que acaba abandonando, tomado de fascínio pelo jovem Rimbaud, é procurado pela polícia por haver participado da Comuna de Paris, é para a Ardenne belga que parte em exílio. Ele acredita encontrar aí o prazer de um paraíso perdido.

No mês de agosto de 1862, Verlaine completa os estudos secundários em Paris, onde seus pais se instalaram em 1851. Eles o enviam então para morar com a família materna no norte da França. Que alegria poder mergulhar numa paisagem melancólica que corresponde a seus estados depressivos! A crisálida transforma-se em poeta maldito. Ali, entre os campos de colza e a leitura de Baudelaire, apaixona-se pela prima Elisa Moncomble. Amor impossível que o fará afogar a tristeza à noite em um cabaré.

Il pleure dans mon coeur / Comme il pleut sur la ville / Quelle est cette langueur / qui pénètre rnon coeur?” (Chora em meu coração / Como chove sobre a cidade / Que langor é esse / que penetra meu coração?).

Em Paris, ele se deixa levar docemente pelas delícias da “fada verde”, o absinto. Começa então a estudar direito. Nada lhe interessa. Emprega-se numa companhia de seguros e, em seguida, na Prefeitura de Paris. Aí ele passa sete anos, entediando-se. Nos cafés, esquece a melancolia, escreve versos e freqüenta os parnasianos (1). Em 1866, sua coletânea “Poèmes Saturniens” (Poemas Saturninos), editada graças a Elisa, que a financiou, faz com que seja percebido pela crítica. Em poemas de musicalidade lírica e singular, Verlaine expressa os arrebatamentos e quedas da alma, transpondo seus sentimentos em impressões e sensações através de paisagens nostálgicas e refinadas. Aos implorantes de absoluto como ele, resta o Belo, o Azul dos céus e o pesar pelos amores desvanecidos.

Mas Elisa não o amou. Foi a partir desse primeiro amor não correspondido que se cristalizou sua poesia melancólica e langorosa. Em 11 de agosto de 1870, ao casar-se com Mathilde Mauté de Fleurville – que não tinha mais do que dezesseis anos – ele tenta acomodar-se a uma burguesia “de boa família”, “aspirando uma vida simples e tranqüila”. Doce ilusão. Em setembro de 1871, o jovem Arthur Rimbaud escreve-lhe de Charlevile. Alguns dias mais tarde, “le voleur de feu aux semelles de vent” chega a Paris a chamado de Verlaine, que se torna seu pai-amante. Em fevereiro de 1872, Mathilde pede a separação. Para acalmar a esposa ultrajada, o poeta afasta Rimbaud, fora de si. Mas em julho acontece a grande escapada: o adolescente foi mais persuasivo. Os dois amantes pegam a estrada para Bruxelas. Mathilde tenta uma reconciliação, mas Rimbaud e Verlaine partem para Londres.

De volta ao continente, Verlaine trabalha em Romances sans Paroles (Romances sem Palavras), enquanto o adolescente publica algumas páginas que revolucionam a literatura moderna: Une Saison en Enfer (Uma temporada no inferno). Sucedem rupturas e reconciliações. Eles formam um par tumultuado. Em Bruxelas, em 1873, Verlaine dá um tiro de pistola em Rimbaud.

Ele é preso, condenado e passará dois anos na prisão. Em 1874, em seu cárcere de Mons, ele compõe poemas místicos, marcas de um sincero arrependimento, que serão publicados em Sagesse (Sabedoria) (1881) e Jadis et Naguère (Outrora e recentemente) (1884), mas também eróticos, como em Parallèlement (1889). Ao sair da prisão em 1875, Verlaine embarca para a Inglaterra, onde será professor durante dois anos. Ele volta lá em 1879, onde vive com seu novo amante Lucien Létinois, um ex-aluno da instituição em que Verlaine ensinou durante dois anos, em Rethel, nas Ardennes. Eles foram expulsos de lá por causa de sua “amizade particular”.

Por que não se ouviu em Romances sans Paroles (1874), ou em La Bonne Chanson (A Boa Canção) (1870) inspirada por Mathilde, seu pedido de ajuda, para não ceder ao demônio? A Ardenne generosa ainda o esconderá por algum tempo. Em 1880, em Coulommes, perto de Rethel, o poeta compra uma fazenda para Létinois. Juntos, eles pretendem tornar-se camponeses. E vem mais uma vez o fracasso, a ruptura, o álcool. No ano seguinte, Verlaine volta a viver em Paris com sua mãe, na rua de la Roquette… Findo o tempo dos jovens amantes.

Depois de viver uma existência de pária, povoada de hospitais, prisões, móveis velhos e dramas sórdidos, Verlaine morre em Paris, aos cinqüenta e dois anos, em 8 de janeiro de 1896. Com a pena na mão, ele terá sido a imagem do velho iluminado. Bruscamente, enquanto é consumido por “reumatismo, cirrose, gastrite e icterícia“, finalmente lhe chega uma parcela de glória. Em 1895, os jovens poetas reconhecem nele o mestre da arte poética moderna. Ele é então rodeado, solicitado na Bélgica, na Inglaterra e na Holanda. Tarde demais. “Qu’as -tu fait, ô toi que voilà / Pleurant sans cesse / Dis qu’as-tu fait, toi que voilà ? De ta jeunesse?” ( O que você fez, ei, você aí / que chora sem parar, / diga o que fez, você aí / de sua juventude?) (Sagesse).


Em 1872, dois anos após casar-se, Verlaine abandonou mulher e filho e iniciou, com o jovem poeta francês Arthur Rimbaud, uma turbulenta ligação sentimental que os levou a percorrer vários países europeus. O relacionamento teve um final abrupto em Bruxelas, em 10 de julho de 1873, quando Verlaine feriu o amigo com um tiro de revólver e foi condenado a dois anos de prisão. Libertado, Verlaine tentou em vão reconciliar-se com Rimbaud. Viveu no Reino Unido até 1877, quando regressou à França. Datam desses anos dois magníficos livros de poesia, Romances sans paroles (1874; Romances sem palavras) e Sagesse (1880; Sabedoria), este a expressão de sua volta aos ideais de um cristianismo simples e humilde.
Apesar de sua crescente fama e de ser considerado um mestre pelos jovens simbolistas, o fracasso dos esforços que fez para recuperar a esposa e levar uma vida retirada conduziram Verlaine a uma recaída no mundo da boêmia e do alcoolismo que, durante o resto de seus dias, o obrigou a freqüentes hospitalizações.
Os vários livros de poemas que se seguiram apenas ocasionalmente recuperaram a antiga magia, como Amour (1888). Da produção posterior de Verlaine, o que mais se destaca são os textos em prosa, como o ensaio Les Poètes maudits (1884; Os poetas malditos), vital para o reconhecimento público de Rimbaud, Mallarmé e outros autores, e as atormentadas obras autobiográficas Mes hôpitaux (1892; Meus hospitais) e Mes prisons (1893; Minhas prisões). Paul Verlaine morreu em Paris em 8 de janeiro de 1896.

É considerado um dos maiores e mais populares poetas franceses. Um dos maiores poetas simbolistas franceses, seu lirismo musical abriu novos caminhos para a poesia em seu país e no mundo.

Com Mallarmé e Baudelaire, Verlaine compõe o grupo dos chamados poetas decadentes.

Em 1863, surgia na Revue du Progrés Moral o primeiro poema de Paul Verlaine (1844-1896). Ele prenunciava uma obra tumultuada, infinitamente bela, que beirava os umbrais da modernidade e transtornou definitivamente o cometa Rimbaud.



Obra

  • Poèmes saturniens (1866)
  • Les Amies (1867)
  • Fêtes galantes (1869)
  • La Bonne chanson (1870)
  • Romances sans paroles (1874)
  • Sagesse (1880)
  • Les Poètes maudits (1884)
  • Jadis et naguère (1884)
  • Amour (1888)
  • Parallèlement (1889)
  • Dédicaces (1890)
  • Femmes (1890)
  • Hombres (1891)
  • Bonheur (1891)
  • Mes hôpitaux (1891)
  • Chansons pour elle (1891)
  • Liturgies intimes (1892)
  • Mes prisons (1893)
  • Élégies (1893)
  • Odes en son honneur (1893)
  • Dans les limbes (1894)
  • Épigrammes (1894)
  • Confessions (1895)

Arte poética

A Charles Morice

Antes de qualquer coisa, música
e, para isso, prefere o Ímpar
mais vago e mais solúvel no ar,
sem nada que pese ou que pouse.
E preciso também que não vás nunca
escolher tuas palavras em ambigüidade:
nada mais caro que a canção cinzenta
onde o Indeciso se junta ao Preciso.
São belos olhos atrás dos véus,
é o grande dia trêmulo de meio-dia,
é, através do céu morno de outono,
o azul desordenado das claras estrelas!
Porque nós ainda queremos o Matiz,
nada de Cor, nada a não ser o matiz!
Oh! O matiz único que liga
o sonho ao sonho e a flauta à trompa.
Foge para longe da Piada assassina,
do Espírito cruel e do Riso impuro
que fazem chorar os olhos do Azul
e todo esse alho de baixa cozinha!
Toma a eloqüência e torce-lhe o pescoço!
Tu farás bem, já que começaste,
em tornar a rima um pouco razoável.
Se não a vigiarmos, até onde ela irá?
Oh! Quem dirá os malefícios da Rima?
Que criança surda ou que negro louco
nos forjou esta jóia barata
que soa oca e falsa sob a lima?
Ainda e sempre, música!
Que teu verso seja um bom acontecimento
esparso no vento crispado da manhã
que vai florindo a hortelã e o timo…
E tudo o mais é só literatura.

Canção do Outono

Os soluços graves
dos violinos suaves
do outono
ferem a minh’alma
num langor de calma
e sono.

Sufocado em ânsia,
Ai! quando à distância
soa a hora,
meu peito magoado
relembra o passado
e chora.

Daqui, dali,
pelo vento em atropelo
seguido,
vou de porta em porta
como a folha morta,
batido…

Tradução de
Alphonsus de Guimaraens

O Rouxinol

Numa revoada azul de pássaros cantando,
descem-me ao coração as saudades, em bando;
descem à murchecida e lúrica folhagem
do meu peito, que mira a dolorosa imagem
sobre a violácea cor do rio da Amargura.

Tradução de Batista Cepelos

Oscar Wilde

Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde (Dublin, 16 de outubro de 1854 — Paris, 30 de novembro de 1900) foi um escritor irlandês.

Criado numa família protestante, estudou na Portora Royal School de Enniskillem e no Trinity College de Dublin, onde sobressaiu como latinista e helenista. Ganhou depois uma bolsa de estudos para o Magdalene College de Oxford.

Wilde saiu de Oxford em 1878. Um pouco antes havia ganhado o prêmio Newdigate com o poema “Ravena”.

Passou a morar em Londres e começou a ter uma vida social bastante agitada, sendo logo caracterizado por suas atitudes extravagantes.

Foi convidado para ir aos Estados Unidos a fim de dar uma série de palestras sobre o movimento estético por ele fundado, o esteticismo, ou dandismo, que defendia, a partir de fundamentos históricos, o belo como antídoto para os horrores da sociedade industrial, sendo ele mesmo um dandi.

Em 1883, vai para Paris e entra para o mundo literário local, o que o leva a abandonar seu movimento estético. Volta para a Inglaterra e casa-se com Constance Lloyd, filha de um rico advogado de Dublin, indo morar em Chelsea, um bairro de artistas londrinos. Com Constance teve dois filhos, Cyril, em 1885 e Vyvyan, em 1886. O melhor período intelectual de Oscar Wilde é o que vai de 1887 a 1895.

Em 1892, começa uma série de bem sucedidas comédias, hoje clássicos da dramaturgia britânica: O Leque de Lady Windernere (1892), Uma mulher sem importância (1893), Um marido ideal e A importância de ser fervoroso,(ambas de 1895). Nesta última, o ar cômico começa pelo título ambíguo: Earnest, “fervoroso” em inglês, tem o mesmo som de Ernest, nome próprio

Publica contos como O Príncipe Feliz e O rouxinol e a rosa (que escrevera para os seus filhos) e O crime de Lord Artur Saville.

O seu único romance foi O retrato de Dorian Gray.

A situação financeira de Wilde começou a melhorar cada vez mais, e, com ela, conquista uma fama cada vez maior. O sucesso literário foi acompanhado de uma vida cada vez mais mundana. Suas atitudes tornaram-se cada vez mais excêntricas.

Em Maio de 1895, após três julgamentos, foi condenado a dois anos de prisão, com trabalhos forçados, por “cometer atos imorais com diversos rapazes”.[1] Wilde escreveu uma denúncia contra um jovem chamado Bosie, publicada no livro De Profundis, acusando-o de tê-lo arruinado. Bosie era o apelido de Lorde Alfred Douglas, um dos homens de que se suspeitava que Wilde fosse amante. Foi o pai de Bosie que levou Oscar Wilde ao tribunal. No terrível período da prisão, Wilde redigiu uma longa carta a Douglas.

A imaginação como fruto do amor é uma das armas que Wilde utiliza para conseguir sobreviver nas condições terríveis da prisão. Apesar das críticas severas a Douglas, ele ainda alimenta o amor dentro de si como estratégia de sobrevivência. A imaginação, a beleza e a arte estão presentes na obra de Wilde.

Após a condenação sua vida mudou radicalmente e o talentoso escritor viu, no cárcere, serem consumidas sua saúde e reputação. No presídio, o autor de Salomé (1893) produziu, entre outros escritos, De Profundis, o clássico anarquista, A alma do homem sob o socialismo e a célebre Balada do cárcere de Reading.

Foi libertado em 19 de maio de 1897. Poucos amigos o esperavam na saída, entre eles o maior, Robert Ross.

Passou a morar em Paris e a usar o pseudônimo Sebastian Melmoth. Suas roupas tornaram-se mais simples, e o escritor morava em um lugar humilde, de apenas dois quartos. Sua produtividade literária é pequena.

O fato histórico de seu sucesso ter sido arruinado pelo Lord Alfred Douglas (Bosie) tornou-lhe ainda mais culto e filosófico, sempre defendendo o amor que não ousa dizer o nome, definição sobre a homossexualidade, como forma de mais perfeita afeição e amor.

Oscar Wilde morreu de um violento ataque de meningite (agravado pelo álcool e pela sífilis) às 9h50min do dia 30 de novembro de 1900.

Wilde foi grande porque conseguiu escrever para todos as formas de expressões em palavras. Embora pouco conhecido em algumas, mesmo assim, escreveu para elas.

Em seu único romance, O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde trata da arte, da vaidade e das manipulações humanas. Aliás, é considerado por muitos de seus leitores, como sua maior obra-prima, sendo rica em diálogos.

Já em novelas escritas por ele, como a maioria de todos seus escritos, Wilde criticava o patriotismo da sociedade. Isso fica claro na novela O Fantasma de Canterville.

Em seus contos infantis sempre tratou da criança que vive em cada um de nós, com lições de moral na sua mais bela e pura forma com linguagens simples. O Filho da Estrela (ver em Ligações Externas), é exemplo disso.

No teatro, escreveu nove dramas, que inclusive fizeram sucesso na época.

Wilde poeta usou a poesia simplesmente talvez para ampliar sua sensibilidade para as artes, embora não seja muito conhecido nesse campo. É recomendado ler Rosa Mystica, Flores de Ouro.

Cronologia

1874- Ganha a medalha de Ouro de Berkeley por seu trabalho em grego sobre os poetas helenos no Trinity College.

1876- Ganha o prêmio em literatura grega e latina, no Magdalen College. Publica sua primeira poesia, versão de uma passagem de As Nuvens de Aristófanes, intitulada O coro das Virgens das Nuvens.

1878- Ganha o prêmio Newizgate, com seu poema Ravenna, escrito em março desse ano.

1879- Phèdre, sob o título A Sara Bernhardt, é publicado no The Word.

1880- Escreve o drama em cinco atos Vera, ou Os Niilistas, sobre o niilismo na Rússia.

1881- Publica em julho a primeira edição de Poemas, coligidos por David Bogue.

1883- Em Paris termina sua tragédia A Duquesa de Pádua.

1887-89- Trabalha como editor de The Woman’s World.

1888- Publica O Príncipe Feliz e Outras Histórias, contos de fadas.

1889- Publica O Retrato do Sr. W.H., baseado no mistério criado em torno do protagonista e do autor dos Sonetos de Shakespeare, sendo recebido de forma hostil pela crítica.

1890- A primeira versão de O Retrato de Dorian Gray é publicada no Lippincott’s Monthly Magazine.

1891- O ensaio A Alma do Homem sob o Socialismo é publicado no The Fortnightly Review. Publica a versão revisada de O Retrato de Dorian Gray. Também publica Intentions, Lord Arthur Savile’s Crime and Other Stories e A house of Pomegranates.

1892- Estréia com grande sucesso no St. James Theatre, de Londres, O Leque de Lady Windermere. Sarah Bernhardt ensaia em Londres Salomé, peça em um ato escrita em francês, sobre a morte de São João Batista, cuja estréia, à última hora, é proibida por apresentar personagens bíblicos.

1893- Salomé é bem recebida quando produzida em Paris e Berlim. Uma mulher sem importância é montada em Londres, também com êxito, e O Leque de Lady Windermere é publicado.

1894- Edição de Salomé em Londres, com ilustrações do desenhista Audrey Bearsdley. Publica Uma Mulher sem importância e o poema A Esfinge que não obteve sucesso.

1895- As peças Um marido ideal e A Importância de ser fervoroso são montadas em Londres com êxito total. Em 27 de maio deste ano Oscar Wilde é preso, primeiro na Prisão de Pentoville, depois na de Wandsworth. Ainda em maio, o ensaio A Alma do Homem sob o Socialismo é publicado em livro. A 13 de novembro é transferido para a Prisão de Reading, na cidade do mesmo nome, onde ficará até o final de sua sentença.

1896- Salomé é representada em Paris, tendo Sarah Bernhardt no papel principal. Em 7 de julho é executado na Prisão de Reading o ex-sargento Charles T. Woolridge, cuja morte inspira Oscar Wilde ao seu maravilhoso poema A Balada do Cárcere de Reading.

1897- Ainda na prisão, Oscar Wilde escreve De Profundis, uma longa carta a Lorde Douglas. Sai da Prisão e em 28 de maio, aparece no Daily Chronicle, sua primeira carta sobre o regime penitenciário britânico, sob o título O Caso do Guarda Martin.

1898- Publica A Balada do Cárcere de Reading e escreve outra longa carta ao Daily Chronicle sobre as condições carcerárias.

1899- A Importância de Ser Fervoroso e Um marido ideal são publicados em livro.

1900- Em 30 de novembro morre Oscar Wilde vítima de meningite.

Identidade sexual

A identidade sexual (ver Escala de Orientação Sexual de Harry Benjamin) indica a percepção individual sobre o gênero (e.g. masculino e feminino) que uma pessoa percebe para si mesma. Assim como o termo sexo pode assumir várias interpretações costuma-se separar orientação sexual do conceito de identidade sexual. O termo identidade de gênero aproxima-se da identidade sexual mas também mantém diferenças conceituais significativas.

A identidade sexual pode ser exclusivamente masculina ou feminina. Também pode manifestar uma mistura entre a masculinidade e feminidade, admitindo várias categorias entre homossexualidade com inversão sexual de papéis de gênero, travestibilidade e transexualidade. A identidade sexual difere em conceitos da orientação sexual pois a identidade sexual fundamenta-se na percepção individual sobre o próprio sexo, masculino ou feminino percebido para si, manifestado no papel de gênero assumido nas relações sexuais e a orientação sexual fundamenta-se na atração sexual por outras pessoas. Difere também da identidade de gênero no sentido em que a identidade de gênero está mais correlacionada com a maneira de se vestir e de se apresentar na sociedade enquando a identidade sexual correlaciona-se mas diretamente com o papel de gênero sexual. Algumas vezes considera-se que um transexual do biotipo masculino, cuja orientação sexual é somente por homens e que se relacione sexualmente apenas no papel feminino, possa ser considerado heterossexual. Nos casos mais comuns, homens e mulheres identificam-se no biotipo sexual natural, sem manifestar desejos pela transgenereidade.

Enquanto a orientação sexual não-heterossexual foi removida da lista de doenças mentais nos EUA em 1973; e do CID 10 (Clasificação Internacional de Doenças) editado pela OMS Organização Mundial da Saude em 1993. Os transtornos de identidade de gênero que englobam travestis e transexuais permanecem classificadas na CID-10 considerando que, nesses casos, terapias hormonais e/ou cirurgia de redesignação de sexo são, algumas vezes, indicadas pela medicina.

Orientação sexual

A orientação sexual (ver Escala Kinsey de Alfred Kinsey) indica qual o gênero (e.g. masculino e feminino) que uma pessoa se sente preferencialmente atraída fisicamente e/ou emocionalmente.

A orientação sexual pode ser assexual (nenhuma atracção sexual), bissexual (atracção por ambos os gêneros), heterossexual (atracção pelo gênero oposto), homossexual (atracção pelo mesmo gênero), ou pansexual (atracção por diversos gêneros, quando se aceita a existência de mais de dois gêneros). O termo pansexual (ou também omnissexual) pode ser utilizado, ainda, para indicar alguém que tem uma orientação mais abrangente (incluindo por exemplo, atracção específica por transgêneros).

A orientação sexual não-heterossexual foi removida da lista de doenças mentais nos EUA em 1973; e do CID 10 (Clasificação Internacional de Doenças) editado pela OMS Organização Mundial da Saude, só em 1993. Os transtornos de identidade de gênero que englobam Travestis e Transexuais permanecem classificadas na CID-10 considerando que, nesses casos, terapias hormonais e/ou cirurgia de redesignação de sexo são, algumas vezes, indicadas pela medicina.

O termo orientação sexual é considerado, atualmente, mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual. Isso porque opção indica que uma pessoa teria escolhido a sua forma de desejo, coisa que muitas pessoas consideram como sem sentido. Assim como o heterossexual não escolheu essa forma de desejo, o homossexual (tanto feminino como masculino) também não, pois, segundo pesquisas recentes esta orientação poderá estar determinada por factores biogenéticos, sejam questões hormonais in utero ou genes que possam determinar esta predisposição. É importante esclarecer que há grande apelo e imposição do modelo heterossexual para todos. Em alguns casos, pode não existir a preocupação em conhecer o nível ou qualidade de vida afetiva, nível de prazer ou felicidade que uma pessoa possa ter, mas sim que ela deveria ser heterosexual. Por conta dessa forte imposição, muitas pessoas podem encontrar alívio dos desejos homoeróticos na igreja, nos remédios, nas drogas ou mesmo, adotando um padrão escondido ou de vida dupla: No seu entorno social e familiar assume um comportamento heterossexual e num mundo privado permite-se exercer a sua homossexualidade, situação esta que cria um maior ou menor conflicto interior e assim as suas repercusões posteriores nesse ser humano.

O termo pansexual define ainda a atração sexual por animais (zoofilia) e também toda e qualquer modalidade sexual, é tudo uma questão de oportunidade, o pansexual é ao mesmo tempo homossexual, transgênero e bissexual, o prefixo “pan” pode indicar o todo ou através.

Bissexualidade

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A bissexualidade consiste na atracção fisica, emocional e espiritual por pessoas tanto do mesmo sexo como do oposto, com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual.

Bissexual é portanto o termo aplicado a seres e, mais comumente, pessoas, que se sentem atraídos por ambos os sexos, servindo portanto de um quase meio-termo entre o hetero e o homossexual. O número de indivíduos que apresentam comportamentos e interesses de teor bissexual é maior do que se suporia à primeira impressão, devendo-se a pouca discussão desta situação essencialmente a uma tendência geral para a polarização da análise da sexualidade, tanto em nível académico como, muito mais marcadamente, em nível popular, entre a heterossexualidade e a homossexualidade.

Embora, teoricamente, por se apresentar também nela uma faceta de heterossexualidade, no sentido da atracção por indíviduos do sexo oposto, segundo o olhar de homossexuais exclusivos, a bissexualidade pode parecer mais facilmente aceita. A verdade é que em geral, há incidências específica de preconceito contra pessoas bissexuais partindo tanto de certos homossexuais quanto de heterossexuais. Por exemplo, a percepção das pessoas bissexuais como a ponte que trouxe a AIDS dos homossexuais para os heterossexuais, pode ser considerada com uma demonstração de bifobia. Outra face da bifobia se dá quando certos homossexuais consideram a bissexualidade pouco mais que um meio-termo confortável entre a heterossexualidade estabelecida e a identidade homossexual pela qual lutam por estabelecer. Além disso pessoas bissexuais podem ser alvo tanto de homofobia (por parte de alguns heterossexuais) quanto de heterofobia (por parte de alguns homossexuais). Nos dias de hoje têm sido comum também o uso do termo queer na denominação tanto de pessoas bissexuais como homossexuais numa tentativa de fugir do dualismo e subcategorização humana, englobando num único termo as pessoas que possuem uma orientação sexual divergente da heterossexualidade dominante.

No entanto, em termos históricos mais amplos, o comportamento bissexual foi aceito e até encorajado em determinadas sociedades antigas, especificamente, entre outras, na Grécia, e em determinadas nações do Médio Oriente.
Em termos de estudos quanto à Bissexualidade, sublinha-se em notoriedade e importância para estudos posteriores do assunto os Relatórios Kinsey, publicados em 1948 e 1953, quanto a um estudo cujas conclusões afirmavam, entre outras constatações, que grande parte da população Americana tinha algumas tendências bissexuais de intensidade variante. Embora algo criticados, em particular quanto à selecção dos indivíduos a quem se aplicaram os inquéritos correspondentes ao estudo, estes vieram a tornar-se uma referência notória no que toca a estudos da sexualidade, e apresentou pela primeira vez a noção de que a Bissexualidade é, possivelmente, muito mais comum do que se pensa, mantendo-se por isso também importante em campos teóricos – em particular pela noção apresentada da sexualidade humana ser composta não por duas alternativas únicas, a heterossexualidade e a homossexualidade, mas por um espectro de interesse e comportamento sexual, que tem as duas como extremos.

GLBT


LGBT é o acrónimo de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros. Embora refira apenas quatro, é utilizado para identificar todas as orientações sexuais minoritárias e manifestações de identidades de género divergentes do sexo designado no nascimento.
Incialmente, o termo mais comum era GLBT, mas cada vez mais se usa a versão LGBT com a intenção de reforçar o combate à dupla discriminação de que são alvo muitas mulheres homossexuais (por serem “mulheres” e por serem “homossexuais”).

LGBTQ ou GLBTQ é um acrónimo derivado também relativamente frequente, em que o “Q” se refere a queer. Outro acrónimo comum é LGBTQS, em que o “S” se refere a heterossexuais que ajudem ou simpatizem com o movimento LGBT. O “S” de simpatizantes pode ser ainda substituído pelo “A” de aliados. Também já se utilizou GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) com o mesmo significado, sendo esta variante ainda muito utilizada no Brasil como uma sigla meramente comercial, para expressar que um determinado estabelecimento não discrimina nenhuma orientação sexual.
O termo atual oficialmente usado para a diversidade no Brasil é GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), mas há uma forte tendência de inclusão de mais um “T”, para reforçar a identidade dos transexuais, já que estes têm parte de suas necessidades e reivindicações diferentes das dos transgêneros, principalmente no que se refere à adequação de seu sexo anatômico (através de cirurgia) ao mental.
Em Portugal o termo usado pelas associações nos últimos anos tem sido LGBT embora cada vez mais a letra T comece a ser vista como englobando Transgéneros e Transexuais.

Mais recentemente o termo LGBTQ começa a ser utilizado em discussões relacionadas com o assunto em português englobando assim Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros/Transexuais, Queer, havendo também algumas referências ocasionais a LGBTTQI, incluindo assim explicitamente as pessoas Intersexuais.

Queer é um termo que proveio do inglês. Seu significado atual tem a ver com gays, lésbicas, transgêneros e outras minorias.

Seu significado inicial pode ser compreendido através da história da criação do termo, inicialmente uma gíria inglesa. Literalmente significa “ëstranho”, mas a palavra foi usada em uma superposição de significado com a palavra queen, ou “rainha”. Assim, seu significado completo seria de um homossexual masculino bastante afeminado, pois este seria ao mesmo tempo uma rainha e algo de muito estranho.

Outra derivação pode ser que queer’se derivou palavra quare do Inglês Antigo, que significaria “questionado ou desconhecido”.