Fernanda Young

Fernanda Maria Young de Carvalho Machado (Niterói, 1 de maio de 1970) é uma escritora, atriz, roteirista e apresentadora de televisão brasileira.

Sua formação literária foi em parte constituída durante a travessia da baía de Guanabara em barcas ou ônibus. Dedicou-se aos livros na busca de aperfeiçoamento, influências e distração. Autores como Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Shakespeare, Gerard de Nerval, Thomas Mann, Balzac, Oscar Wilde, Malcolm Lowry, William Faulkner, Milan Kundera, V.S. Naipaul, Truman Capote, J.D. Salinger, Jorge Luis Borges, Cabreira Infante, José Saramago, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Machado de Assis, Márcia Denser, T.S. Eliot, Paul Éluard, Charles Baudelaire, Fernando Pessoa e Sylvia Plath misturam-se, com naturalidade, a Harold Robbins, Sidney Sheldon, Cassandra Rios e V.C. Andrews. A filosofia também sempre foi seu interesse e, dentre seus favoritos estão Schopenhauer, Nietzsche e Cioran.

Interrompeu os estudos após a conclusão do ensino fundamental, posteriormente concluindo o médio por meio de um supletivo de seis meses. Freqüentou a faculdade de Letras da Universidade Federal Fluminense, sem chegar a se formar. Ainda viria a cursar Jornalismo na Faculdade Hélio Alonso e, depois de mudar-se para São Paulo e iniciar sua carreira de escritora, virar aluna de Rádio & Televisão na FAAP, mas não terminaria nenhum dos cursos. Fernanda teria jurado nunca mais pisar em um campus universitário após as experiências.

Em 1995, foi roteirista do programa televisivo A Comédia da Vida Privada, da Rede Globo. No ano seguinte, Fernanda lançou seu primeiro romance, Vergonha dos Pés, que foi inicialmente ignorado por público e crítica. No ano seguinte, lançou À Sombra de Vossas Asas, que conta a história de amor, obsessão e vingança entre o fotógrafo Rigel (que reaparece no livro Aritmética) e da aspirante-a-top-model Carina.

Os livros de Fernanda conseguiram boa exposição na mídia devido à sua persona peculiar, suas declarações controversas, sua obsessão com cultura pop e seu visual, construído por cabelos geralmente curtos, grandes tatuagens e, por algum tempo, ostensivas pulseiras de baquelite das décadas de 1920 a 1950. Contudo, não conseguiu angariar o respeito de especialistas em literatura, que a consideram um típico fenômeno televisivo sem consistência.

Em 1998 lançou o romance Carta para Alguém Bem Perto, seguido pelo criticado As Pessoas dos Livros (2000). Em 2001, após o lançamento de seu quarto romance, O Efeito Urano, Fernanda retomou a carreira de roteirista de televisão, com Os Normais.

O seriado foi exibido durante dois anos na Rede Globo e culminou em um longa-metragem, lançado em 2003. Fernanda também participaria dos roteiros do quadro Supersincero (2005), no programa Fantástico, e do seriado Minha Nada Mole Vida, em 2006.

Entre 2002 e 2003, Young co-apresentou, ao lado de Rita Lee, Mônica Waldvogel e Marisa Orth, o programa feminino Saia Justa no canal a cabo GNT. Seus próximos livros, o romance Aritmética e a coletânea poética Dor do Amor Romântico, sairiam, respectivamente, em 2004 e 2005. Atualmente apresenta na GNT o programa Irritando Fernanda Young e escreve uma coluna mensal na revista Claudia.

Estreou no dia 2 de novembro de 2007 o programa O Sistema, pela rede Globo de Televisão. Aparentemente polêmico, porém divertido, como toques sarcásticos e traços peculiares da escritora, seguindo o estilo de seus programas anteriores.

É casada com o roteirista e escritor Alexandre Machado, com quem teve as gêmeas Cecília Madonna e Estela May. Morando na cidade de São Paulo, divide seu tempo entre a musculação, assessorada por um personal trainer, o jogging e o balé clássico. Mantém também como hobby a fotografia, principalmente auto-retratos.

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Literatura brasileira

A literatura brasileira, considerando seu desenvolvimento baseada na língua portuguesa, faz parte do espectro cultural lusófono, sendo um desdobramento da literatura em língua portuguesa. Ela surgiu a partir da atividade literária incentivada pelo Descobrimento do Brasil durante o Século XVI. Bastante ligada, de princípio, à literatura metropolitana, ela foi ganhando independência com o tempo, especialmente durante o século XIX com os movimentos romântico e realista.

A literatura produzida no Brasil possui papel de destaque na esfera cultural do país: todos os principais jornais do país dedicam grande parte de seus cadernos culturais à análise e crítica literária, assim como o ensino da disciplina é obrigatório no Ensino Médio.

Período Colonial

  • Quinhentismo
  • Literatura de Informação
  • Literatura Barroca no Brasil
  • Literatura jesuítica
  • Barroco
  • Arcadismo

Século XIX

  • Romantismo
  • Realismo
  • Naturalismo
  • Parnasianismo
  • Simbolismo
  • Pré-Modernismo

Século XX

  • Modernismo
  • Pós-Modernismo / Geração de 45

Concretismo

Poesia Práxis

O que esperar da Literatura atual?

Literatura Contemporânea

  • Adélia Prado
  • Adão Ventura
  • Affonso Ávila
  • Alberto Mussa
  • Álvaro Cardoso Gomes
  • Ana Maria Machado
  • Ana Miranda
  • Ana Cristina César
  • Angela Dutra de Menezes
  • Antônio Barreto
  • Antônio Callado
  • Antônio Carlos Viana
  • Antônio Torres
  • Augusto Boal
  • Augusto de Campos
  • Autran Dourado
  • Benito Barreto
  • Bernardo Élis
  • Caio Fernando Abreu
  • Campos de Carvalho
  • Carlos Ávila
  • Carlos Heitor Cony
  • Carlos Herculano Lopes
  • Carlos Nascimento Silva
  • Chico Buarque de Holanda
  • Dalton Trevisan
  • Décio Pignatari
  • Dias Gomes
  • Domício Proença Filho
  • Domingos Pellegrini Jr.
  • Duílio Gomes
  • Eduardo Alves da Costa
  • Edla Van Steen
  • Edy Lima
  • Elias José
  • Elza Beatriz
  • Esdras do Nascimento
  • Fernando Sabino
  • Francisco Alvim
  • Geraldo Ferraz
  • Gianfrancesco Guarnieri
  • Haroldo de Campos
  • Harry Laus
  • Hélio Pólvora
  • Henry Corrêa de Araújo
  • Hilda Hilst
  • Humberto Werneck
  • Ignácio de Loyola Brandão
  • Jaime Prado Gouveia
  • Jeter Neves
  • João Antônio
  • João Pedro Roriz
  • João Ubaldo Ribeiro
  • Joel Silveira
  • Jorge Amado
  • José J. Veiga
  • José Maria Cançado
  • José Paulo Pais
  • José Roberto Torero
  • José Sarney
  • Laís Corrêa de Araújo
  • Libério Neves
  • Lindanor Celina
  • Lucia Castello Branco
  • Luís Fernando Veríssimo
  • Luiz Antonio Aguiar
  • Luiz Antonio de Assis Brasil
  • Luiz Fernando Emediato
  • Luiz Vilela
  • Lya Luft
  • Lygia Fagundes Teles
  • Manoel Carlos Karam
  • Marcelo Mirisola
  • Márcia Frazão
  • Mário Garcia de Paiva
  • Mário Prata
  • Mário Ribeiro da Cruz
  • Marques Rebello
  • Moacyr Scliar
  • Murilo Mendes
  • Murilo Rubião
  • Nélida Piñon
  • Nelson Motta
  • Otavio Augusto Lisboa
  • Otto Lara Resende
  • Paschoal Mota
  • Paulo Bentancur
  • Paulo Coelho
  • Paulo Leminski
  • Paulo Mendes Campos
  • Paulinho Assunção
  • Per Johns
  • Raduan Nassar
  • Reinaldo Moraes
  • Renard Perez
  • Ricardo Bellissimo
  • Ricardo Ramos
  • Ronald Claver
  • Rubem Braga
  • Rubem Fonseca
  • Rui Mourão
  • Ruth Rocha
  • Ruy Castro
  • Samuel Rawet
  • Sérgio Sant’Anna
  • Silviano Santiago
  • Sylvia R. Pellegrino
  • Wander Piroli
  • Yara Cecim
  • Zélia Gattai

Escritores do início do século XXI

Prosadores

  • Adriana Falcão
  • Adriana Lisboa
  • Adriana Lunardi
  • Alberto Mussa
  • Alexandre Soares Silva
  • Amílcar Bettega Barbosa
  • Ana Paula Maia
  • Andréa del Fuego
  • André Takeda
  • André Sant’Anna
  • Antônio Dutra
  • Antonio Prata
  • Astolfo Lima Sandy
  • Augusto Sales
  • Bernardo Carvalho
  • Bruno Zeni
  • Cecília Giannetti
  • Christiane Tassis
  • Cintia Moscovich
  • Clarah Averbuck
  • Clarice Pacheco
  • Cristiano Baldi
  • Daniel Frazão
  • Daniel Galera
  • Daniel Pellizzari
  • Eduardo Selga
  • Estevão Azevedo
  • Fernanda Young
  • Fernando Bonassi
  • Fernando Molica
  • Flávio Carneiro
  • Francisco Slade
  • Henrique Chagas
  • Ivana Arruda Leite
  • Ivan Sant’Anna
  • João Paulo Cuenca
  • Joca Reiners Terron
  • Julia Mendes
  • Leonardo de Moraes
  • Livia Garcia-Roza
  • Luis Eduardo Matta
  • Luiz Alfredo Garcia-Roza
  • Luiz Ruffato
  • Mara Coradello
  • Marçal Aquino
  • Marcelino Freire
  • Marcelo Benvenutti
  • Marcelo Mirisola
  • Marcelo Moutinho
  • Mariel Reis
  • Mário Bortolotto
  • Max Mallmann
  • Michel Laub
  • Miguel Sanches Neto
  • Milton Hatoum
  • Modesto Carone
  • Nelson de Oliveira
  • Orlando Pais Filho
  • Patrícia Melo
  • Paulo Bullar
  • Paulo Polzonoff Jr
  • Paulo Roberto Pires
  • Paulo Scott
  • Ricardo Bellissimo
  • Ricardo Lísias
  • Ricardo Soares
  • Raduan Nassar
  • Ronaldo Bressane
  • Ronaldo Cagiano
  • Ronaldo Correia de Brito
  • Ruy Tapioca
  • Santiago Nazarian
  • Sérgio Rodrigues
  • Simone Campos
  • Sonia Sant’Anna
  • Thales Guaracy
  • Thiago Iacocca
  • Vera Carvalho Assumpção
  • Vicente Franz Cecim
  • Vinicius Jatobá
  • Walter Solon
  • Xico Sá
  • Zé Rodrix
  • Zulmira Ribeiro Tavares

Poetas

  • Ana Elisa Ribeiro
  • Andréa Catrópa
  • Andrea Paola Costa Prado
  • Angélica Freitas
  • Annita Costa Malufe
  • Bruna Beber
  • Carlito Azevedo
  • Carlos Eduardo Drummond
  • Clarice Pacheco
  • Claudio Daniel
  • Delmo Montenegro
  • Dimythryus
  • Dirceu Villa
  • Donny Correia
  • Eduardo de Paula Barreto
  • Eduardo Lacerda
  • Elisa Nazarian
  • Fabiano Calixto
  • Fabrício Carpinejar
  • Fábio Aristimunho Vargas
  • Fabio Weintraub
  • Francisco Alvim
  • Frederico Barbosa
  • Gilmar Luís Silva Júnior
  • Heitor Ferraz
  • Horacio Costa
  • João Pedro Roriz
  • Laurindo dos Santos
  • Leila Mícollis
  • Leônidas de Albuquerque
  • Lilian Aquino
  • Luiz Roberto Guedes
  • Márcio Calixto
  • Marco Antônio Saraiva
  • Micheliny Verunschk
  • Otavio Augusto Lisboa
  • Paulo Aquarone
  • Paulo Ferraz
  • Paulo Henriques Britto
  • Pedro Tostes
  • Renan Nuernberger
  • Ricardo Bellissimo
  • Tarso de Melo
  • Thiago Ponce de Moraes
  • Valério Oliveira
  • Victor Del Franco
  • Virna Teixeira
  • Zacarias Martins

Coletivos

  • Editora Baleia
  • Editora Casa Verde

Paulo Leminski

Paulo Leminski Filho (Curitiba, 24 de agosto de 1944 — Curitiba, 7 de junho de 1989) foi um escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro. Era, também, faixa-preta de judô.

Filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes. Mestiço de pai polonês com mãe negra, Paulo Leminski Filho sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade. Estava sempre à beira de uma explosão e assim produziu muito. É dono de uma extensa e relevante obra. Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditados populares.

Em 1958, aos catorze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e lá ficou o ano inteiro.

Participou do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda em Belo Horizonte onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras. Leminski casou-se, aos dezessete anos, com a desenhista e artista plástica Neiva Maria de Sousa (da qual se separou em 1968).

Estreou em 1964 com cinco poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, em São Paulo, porta-voz da poesia concreta paulista.

Em 1965, tornou-se professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, e também era professor de judô.

Classificado em 1966 em primeiro lugar no II Concurso Popular de Poesia Moderna.

Casou-se em 1968 com a também poetisa Alice Ruiz, com quem ficou casado por vinte anos. Algum tempo depois de começarem a namorar, Leminski e Alice foram morar com a primeira mulher do poeta e seu namorado, em uma espécie de comunidade hippie. Ficaram lá por mais de um ano, e só saíram com a chegada do primeiro de seus três filhos: Miguel Ângelo (que morreu com dez anos de idade, vítima de um linfoma). Eles também tiveram duas meninas, Áurea (homenagem a sua mãe) e Estrela.

De 1969 a 1970 decidiu morar no Rio de Janeiro, retornando a Curitiba para se tornar diretor de criação e redator publicitário.

Dentre suas atividades, criou habilidade de letrista e músico. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras. A própria bossa nova resulta, em partes iguais, da evolução normal da MPB e do feliz acidente de ter o modernismo criado uma linguagem poética, capaz de se associar com suas letras mais maleáveis e enganadoramente ingênuas às tendências de então da música popular internacional. A jovem guarda e o tropicalismo, à sua maneira, atualizariam esse processo ao operar com outras correntes musicais e poéticas. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração de poetas marginais que, embora ele jamais tenha sido próximos de poetas como Francisco Alvim, Ana Cristina César ou Cacaso. Por sua vez, em muitas ocasiões declarou sua admiração por Torquato Neto, poeta tropicalista e que antecipou muito da estética da década de 1970.

Na década de 1970, teve poemas e textos publicados em diversas revistas – como Corpo Estranho, Muda Código (editadas por Régis Bonvicino) e Raposa. Em 1975 – e lançou o seu ousado Catatau, que denominou “prosa experimental”, em edição particular. Além de poeta e prosista, Leminski era também tradutor (traduziu para o castelhano e o inglês alguns trechos de sua obra Catatau, o qual foi traduzido na íntegra para o castelhano).

Na poesia de Paulo Leminski, por exemplo, a influência da MPB é tão clara que o poeta paranaense só poderia mesmo tê-la reconhecido escrevendo belas letras de música, como “Verdura”:

Músico e letrista, Leminski fez parcerias com Caetano Veloso e o grupo A Cor do Som entre 1970 e 1989.Teve influência da poesia de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, convivência com Régis Bonvicino, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Wally Salomão, Antônio Cícero, Antonio Risério, Julio Plaza, Reinaldo Jardim, Regina Silveira, Helena Kolody, Turiba.

A música estava ligada às obras de Paulo Leminski, uma de suas paixões, proporcionando uma discografia rica e variada.

Entre 1984 e 1986, em Curitiba, foi tradutor de Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett e Yukio Mishima.

Publicou o livro infanto-juvenil ‘’Guerra dentro da gente’’, em 1986 em São Paulo.

Entre 1987 e 1989 foi colunista do Jornal de Vanguarda que era apresentado por Doris Giesse na Rede Bandeirantes;

Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Além de um grande escritor, Leminski também era faixa-preta de judô. Sua obra literária tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos.

Manuel Bandeira

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968 ) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.

Considera-se que Bandeira faça parte da geração de 22 da literatura moderna brasileira, sendo seu poema Os Sapos o abre-alas da Semana de Arte Moderna de 1922. Juntamente com escritores como João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freyre e José Condé, representa o que há de melhor na produção literária do estado de Pernambuco.

Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira e de sua esposa Francelina Ribeiro, era neto paterno de Antônio Herculano de Sousa Bandeira, advogado, professor da Faculdade de Direito do Recife e deputado geral na 12ª legislatura. Tendo dois tios reconhecidamente importantes, sendo um, João Carneiro de Sousa Bandeira, que foi advogado, professor de Direito e membro da Academia Brasileira de Letras e o outro, Antônio Herculano de Sousa Bandeira Filho, que era o irmão mais velho do engenheiro Sousa Bandeira e foi advogado, procurador da coroa, autor de expressiva obra jurídica e foi também Presidente da Províncias da Paraíba e de Mato Grosso.

Seu avô materno era Antônio José da Costa Ribeiro, advogado e político, deputado geral na 12ª legislatura. Costa Ribeiro era o avô citado em Evocação do Recife. Sua casa na rua da União é referida no poema como “a casa de meu avô”. No Rio de Janeiro, para onde viajou com a família, em função da profissão do pai, engenheiro civil do Ministério da Viação, estudou no Colégio Pedro II (Ginásio Nacional, como o chamaram os primeiros republicanos) foi aluno de Silva Ramos, de José Veríssimo e de João Ribeiro, e teve como condiscípulos Álvaro Ferdinando Sousa da Silveira, Antenor Nascentes, Castro Menezes, Lopes da Costa, Artur Moses.

Em 1902 terminou o curso de Humanidades e foi para São Paulo, onde iniciou o curso de arquitetura na Escola Politécnica de São Paulo, que interrompeu por causa da tuberculose. Para se tratar buscou repouso em Campos do Jordão, Campanha e outras localidades de clima mais ameno. Com a ajuda do pai que reuniu todas as economias da família foi para Suíça, onde esteve no Sanatório de Clavadel.

Manuel Bandeira faleceu de hemorragia gástrica aos 82 anos de idade, no Rio de Janeiro, e foi sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Ele foi um dos poetas nacionais mais admirados, inspirando, até hoje, desde novos escritores a compositores. Aliás, o “ritmo bandeiriano” merece estudos aprofundados de ensaístas. Por vezes inspira escritores não em razão de sua temática, mas, também devido ao estilo sóbrio de escrever.

Manuel Bandeira possui um estilo simples e direto, embora não compartilhe da dureza de poetas como João Cabral de Melo Neto, também pernambucano. Aliás, numa análise entre as obras de Bandeira e João Cabral, vê-se que este, ao contrário daquele, visa a purgar de sua obra o lirismo. Bandeira foi o mais lírico dos poetas. Aborda temáticas cotidianas e universais, às vezes com uma abordagem de “poema-piada”, lidando com formas e inspiração que a tradição acadêmica considera vulgares. Mesmo assim, conhecedor da Literatura, utilizou-se, em temas cotidianos, de formas colhidas nas tradições clássicas e medievais. Em sua obra de estréia (e de curtíssima tiragem) estão composições poéticas rígidas, sonetos em rimas ricas e métrica perfeita, na mesma linha onde, em seus textos posteriores, encontramos composições como o rondó e trovas.

É comum criar poemas (como o Poética, parte de Libertinagem) que se transforma quase que em um manifesto da poesia moderna. No entanto, suas origens estão na poesia parnasiana. Foi convidado a participar da Semana de arte moderna de 1922, embora não tenha comparecido, deixou um poema seu (Os Sapos) para ser lido no evento.

Uma certa melancolia, associada a um sentimento de angústia, permeia sua obra, em que procura uma forma de sentir a alegria de viver. Doente dos pulmões, Bandeira sabia dos riscos que corria diariamente, e a perspectiva de deixar de existir a qualquer momento é uma constante na sua obra.

A imagem de bom homem, terno e em parte amistoso que Bandeira aceitou adotar no final de sua vida tende a produzir enganos: sua poesia, longe de ser uma pequena canção terna de melancolia, está inscrita em um drama que conjuga sua história pessoal e o conflito estilístico vivido pelos poetas de sua época. Cinza das Horas apresenta a grande tese: a mágoa, a melancolia, o ressentimento enquadrados pelo estilo mórbido do simbolismo tardio. Carnaval, que virá logo após, abre com o imprevisível: a evocação báquica e, em alguns momentos, satânica do carnaval, mas termina em plena melancolia. Essa hesitação entre o júbilo e a dor articular-se-á nas mais diversas dimensões figurativas. Se em Ritmo Dissoluto, seu terceiro livro, a felicidade aparece em poemas como Vou embora para Pasárgada, onde é questão a evocação sonhadora de um país imaginário, o pays de cocagne, onde todo desejo, principalmente erótico, é satisfeito, não se trata senão de um alhures intangível, de um locus amenus espiritual. Em Bandeira, o objeto de anseio restará envolto em névoas e fora do alcance. Lançando mão do tropo português da “saudade”, poemas como Pasárgada e tantos outros encontram um símile na nostálgica rememoração bandeiriana da infância, da vida de rua, do mundo cotidiano das provincianas cidades brasileiras do início do século. O inapreensível é também o feminino e o erótico. Dividido entre uma idealidade simpática às uniões diáfanas e platônicas e uma carnalidade voluptuosa, Manuel Bandeira é, em muitos de seus poemas, um poeta da culpa. O prazer não se encontra ali na satisfação do desejo, mas na excitação da algolagnia do abandono e da perda. Em Ritmo Dissoluto, o erotismo, tão mórbido nos dois primeiros livros, torna-se anseio maravilhado de dissolução no elemento líquido marítimo, como é o caso de Na Solidão das Noites Úmidas.

Esse drama silencioso surpreende mesmo em poemas “ternos”, quando inesperadamente encontram-se, como é o caso dos poemas jornalísticos de Libertinagem, comentários mordazes e sorrateiros interrompendo a fluência ingênua de relatos líricos, fazendo revelar todo um universo de sentimentos contraditórios. Com Libertinagem, talvez o mais celebrado dos livros de Bandeira, adotam-se formas modernistas, abandona-se a metrificação tradicional e acolhe-se o verso livre. Em grosso, é um livro menos personalista. Se os grandes temas nostálgicos cedem ao avanço modernista, não é somente porque os sufocam o desfile fulminante de imagens quotidianas e os esquetes celebratórios do modernismo, mas também porque é um princípio motor de sua obra o reencenar a luta dos dois momentos sentimentais da alegria e da tristeza. O cotidiano “brasileiro” aparece ali, realçando o júbilo evocatório, com o pitoresco popular que se assimila, por exemplo em Evocação do Recife, ao tom triste e nostálgico; usa-se o diálogo anedótico para brindar fatos tão sórdidos quanto sua própria doença (Pneumotórax); a forma do esquete, favorável à apreensão imediata do objeto, funde-se, em O Cacto, a um lirismo narrativo que se aperfeiçoará em sua poesia posterior. Tanto em Libertinagem como no restante de sua obra, a adoção da linguagem coloquial nem sempre será coroada de êxito. Em certos meios-tons perde-se a distinção entre o coloquial estilizado e o coloquial natural, como em Pensão Familiar, onde os diminutivos são usados abusivamente. Libertinagem dará o tom de toda a poesia subseqüente de Manuel Bandeira. Em Estrela da Manhã, Lira dos Cinquent’anos e outros livros, as experiências da primeira fase darão lugar ao acomodamento do material lírico em formas mais brandas e às vezes mesmo ao retorno a formas tradicionais.

  • A Cinza das Horas – Jornal do Comércio – Rio de Janeiro, 1917
  • Carnaval – Rio de janeiro,1919
  • O Ritmo Dissoluto – Rio de Janeiro, 1924
  • Poesia (A cinza das Horas, Carnaval, Ritmo Dissoluto) – Rio de Janeiro, 1924
  • Libertinagem – Rio de Janeiro, 1930
  • Estrela da Manhã – Rio de Janeiro, 1936
  • Poesias Escolhidas – Rio de Janeiro, 1937
  • Poesias Completas – Rio de Janeiro todos livros anteriores com o novo Lira dos Cinquent’anos), 1940
  • Poemas Traduzidos – Rio de Janeiro
  • poema trem de ferro

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  • Crônicas da Província do Brasil – Rio de Janeiro, 1936
  • Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938
  • Noções de História das Literaturas – Rio de Janeiro, 1940
  • Autoria das Cartas Chilenas – Rio de Janeiro, 1940
  • Apresentação da Poesia Brasileira – Rio de Janeiro, 1946
  • Literatura Hispano-Americana – Rio de Janeiro, 1949
  • Gonçalves Dias, Biografia – Rio de Janeiro, 1952
  • Itinerário de Pasárgada – Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954
  • De Poetas e de Poesia – Rio de Janeiro, 1954
  • A Flauta de Papel – Rio de Janeiro, 1957
  • Itinerário de Pasárgada – Livraria São José – Rio de Janeiro, 1957
  • Andorinha, Andorinha – José Olympio – Rio de Janeiro, 1966
  • Itinerário de Pasárgada – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1966
  • Colóquio Unilateralmente Sentimental – Editora Record – RJ, 1968
  • Seleta de Prosa – Nova Fronteira – RJ
  • Berimbau e Outros Poemas – Nova Fronteira – RJ

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  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica, N. Fronteira, RJ
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana – N. Fronteira, RJ
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna – Vol. 1, N. Fronteira, RJ
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna – Vol. 2, N. Fronteira, RJ
  • Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, N. Fronteira, RJ
  • Antologia dos Poetas Brasileiros – Poesia Simbolista, N. Fronteira, RJ
  • Antologia Poética – Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1961
  • Poesia do Brasil – Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1963
  • Os Reis Vagabundos e mais 50 crônicas – Editora do Autor, RJ, 1966
  • Manuel Bandeira – Poesia Completa e Prosa, Ed. Nova Aguilar, RJ
  • Antologia Poética (nova edição), Editora N. Fronteira, 2001

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  • Quadrante 1 – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1962 (com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga)
  • Quadrante 2 – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1963 (com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga)
  • Quatro Vozes – Editora Record – Rio de Janeiro, 1998 (com Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz e Cecília Meireles)
  • Elenco de Cronistas Modernos – Ed. José Olympio – RJ (com Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga
  • O Melhor da Poesia Brasileira 1 – Ed. José Olympio – Rio de Janeiro (com Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto)
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    • O Auto Sacramental do Divino Narciso de Sóror Juana Inés de la Cruz, 1949
    • Maria Stuart, de Schiler, encenado no Rio de Janeiro e em São Paulo, 1955
    • Macbeth, de Shakespeare, e La Machine Infernale, de Jean Cocteau, 1956.
    • As peças June and the Paycock, de Sean O’Casey, e The Rainmaker, de N. Richard Nash, 1957
    • The Matchmaker (A Casamenteira), de Thorton Wilder, 1958
    • D. Juan Tenório, de Zorrilla, 1960
    • Mireille, de Fréderic Mistral, 1961
    • Prometeu e Epimeteu de Carl Spitteler, 1962
    • Der Kaukasische Kreide Kreis, de Bertold Brecht, 1963
    • O Advogado do Diabo, de Morris West, e Pena Ela Ser o Que É, de John Ford, 1964
    • Os Verdes Campos do Eden, de Antonio Gala; A Fogueira Feliz, de J. N.Descalzo, e Edith Stein na Câmara de Gás de Frei Gabriel Cacho, 1965

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  • Sonetos Completos e Poemas Escolhidos de Antero de Quental
  • Obras Poéticas de Gonçalves Dias, 1944
  • Rimas de José Albano, 1948
  • Cartas a Manuel Bandeira, de Mário de Andrade, 1958
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    Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, onde foi o terceiro ocupante da cadeira 24 cujo patrono é Júlio Ribeiro. Sua eleição ocorreu em 29 de agosto de 1940, sucedendo Luís Guimarães Filho, e foi recebido pelo acadêmico Ribeiro Couto em 30 de novembro de 1940.

    Cecília Meireles

    Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poetisa brasileira.

    “Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.
    (…) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.
    (…) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.”

    Foi , a partir de então, que foi criada por sua avó portuguesa, D. Jacinta Garcia Benevides e, aos nove anos,começou a escrever poesia. Frequentou a Escola Normal no Rio de Janeiro, entre os anos de 1913 e 1916. Como professora, estudou línguas, literatura, música, folclore e teoria educacional.

    Aos dezoito anos de idade publicou seu primeiro livro de poesias (Espectro, 1919), um conjunto de sonetos simbolistas. Embora vivesse sob a influência do Modernismo, apresentava ainda, em sua obra, heranças do Simbolismo e técnicas do Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Parnasianismo, Realismo e Surrealismo, razão pela qual a sua poesia é considerada atemporal.

    No ano de 1922 se casou com o pintor português Fernando Correia Dias com quem teve três filhas. Seu marido, que sofria de depressão aguda, suicidou-se em 1935. Voltou a se casar, no ano de 1940, quando se uniu ao professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

    Teve ainda importante atuação como jornalista, com publicações diárias sobre problemas na educação, área à qual se manteve ligada fundando, em 1934, a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro. Observa-se ainda seu amplo reconhecimento na poesia infantil com textos como Leilão de Jardim, O Cavalinho Branco, Colar de Carolina, O mosquito escreve, Sonhos da menina, O menino azul e A pombinha da mata, entre outros. Com eles traz para a poesia infantil a musicalidade característica de sua poesia, explorando versos regulares, a combinação de diferentes metros, o verso livre, a aliteração, a assonância e a rima.

    Os poemas infantis não ficam restritos à leitura infantil, permitindo diferentes níveis de leitura.

    Em 1923, publicou Nunca Mais… e Poema dos Poemas, e, em 1925, Baladas Para El-Rei. Após longo período, em 1939, publicou Viagem, livro com o qual ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.

    • Criança, meu amor, 1923
    • Nunca mais…, 1924
    • Poema dos Poemas, 1923
    • Baladas para El-Rei, 1925
    • O Espírito Vitorioso, 1935
    • Viagem, 1939
    • Vaga Música, 1942
    • Poetas Novos de Portugal, 1944
    • Mar Absoluto, 1945
    • Rute e Alberto, 1945
    • Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948
    • Retrato Natural, 1949
    • Problemas de Literatura Infantil, 1950
    • Amor em Leonoreta, 1952
    • 12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952
    • Romanceiro da Inconfidência, 1953
    • Poemas Escritos na Índia, 1953
    • Batuque, 1953
    • Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955
    • Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955
    • Panorama Folclórico de Açores, 1955
    • Canções, 1956
    • Giroflê, Giroflá, 1956
    • Romance de Santa Cecília, 1957
    • A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957
    • A Rosa, 1957
    • Obra Poética,1958
    • Metal Rosicler, 1960
    • Antologia Poética, 1963
    • Solombra, 1963
    • Ou Isto ou Aquilo, 1964
    • Escolha o Seu Sonho, 1964
    • Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965
    • O Menino Atrasado, 1966
    • Poésie (versão francesa), 1967
    • Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998
    • Inscrição na areia
    • 1947 – Estréia “Auto do Menino Atrasado”, direção de Olga Obry e Martim Gonçalves. música de Luis Cosme; marionetes, fantoches e sombras feitos pelos aluos do curso de teatro de bonecos.
    • 1956/1964 – Gravação de poemas por Margarida Lopes de Almeida, Jograis de São Paulo e pela autora (Rio de Janeiro – Brasil)
    • 1965 – Gravação de poemas pelo professor Cassiano Nunes (New York – USA).
    • 1972 – Lançamento do filme “Os inconfidentes”, direção de Joaquim Pedro de Andrade, argumento baseado em trechos de “O Romanceiro da Inconfidência”.

    Augusto dos Anjos, o poeta do hediondo

    Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Cruz do Espírito Santo, Paraíba, 20 de abril de 1884 – Leopoldina, Minas Gerais, 12 de novembro de 1914) foi um poeta paraibano, identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano, mas muitos críticos, como o poeta Ferreira Gullar, concordam em situá-lo como pré-moderno. É conhecido como um dos poetas mais estranhamente críticos do seu tempo, e até hoje sua obra é admirada (ou detestada) tanto por leigos como por críticos literários.

  • Poeta da morte
  • Poeta do hediondo
  • Poeta da Anti-Hipocrisia
  • Augusto dos Anjos nasceu no engenho Pau d’Arco, município de Cruz do Espírito Santo (Paraíba). Foi educado nas primeira letras pelo pai e estudou no Liceu Paraibano, onde viria a ser professor em 1908. Precoce poeta brasileiro, compôs os primeiros versos aos 7 anos de idade.

    Em 1903, ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, bacharelando-se em 1907.Em 1910 , casa-se com Ester Filiado. Segundo Ferreira Gullar, entrou em contato com leituras que iriam influenciar na construção de sua dialética poética à sua visão de mundo. Com a obra de Herbert Spencer, teria aprendido a incapacidade de se conhecer a essência das coisas e compreendido a evolução da natureza e da humanidade. De Ernst Haeckel, teria absorvido o conceito da monera como princípio da vida, e de que a morte e a vida são um puro fato químico. Arthur Schopenhauer o teria inspirado a perceber que o aniquilamento da vontade própria seria a única saída para o ser humano. E da Bíblia Sagrada que também não contestava a essência espiritualistica, usando-a para contra-por, de forma poeticamente agressiva, os pensamentos remanescentes de sua época e, principalmente, os ideais iluministas/materialistas que, endeusando-se, levantavam-se na sua época. Essa filosofia, fora do contexto europeu em que nascera, para Augusto dos Anjos seria a demonstração da realidade que via ao seu redor, com a crise de um modo de produção pré-capitalista, proprietários falindo e ex-escravos na miséria. O mundo seria representado por ele, então, como repleto dessa tragédia, cada ser vivenciando-a no nascimento e na morte.

    Dedicou-se ao magistério, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor em vários estabelecimentos de ensino. Faleceu em 30 de outubro de 1914, às 4 horas da madrugada, aos 29 anos, em Leopoldina, Minas Gerais, onde era diretor de um grupo escolar. A causa de sua morte foi a pneumonia.

    Durante sua vida, publicou vários poemas em periódicos, o primeiro, Saudade, em 1900. Em 1912, publicou seu livro único de poemas, Eu. Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizaria uma edição chamada Eu e Outras Poesias, incluindo poemas até então não publicados pelo autor.

  • Um personagem constante em seus poemas é um pé de tamarindo que ainda hoje existe no Engenho Pau d’Arco.
  • Seu amigo Órris Soares conta que Augusto dos Anjos costumava compor “de cabeça”, enquanto gesticulava e pronunciava os versos de forma excênctrica, e só depois transcrevia o poema para o papel.
  • De acordo com Eudes Barros, quando morava no Rio de Janeiro com a irmã, Augusto dos Anjos costumava compor no quintal da casa, em voz alta, o que fazia sua irmã pensar que era doido.
  • Embora tenha morrido de pneumonia, tornou-se conhecida a história de que Augusto dos Anjos morreu de tuberculose, talvez porque esta doença seja bastante mencionada em seus poemas.
  • A poesia brasileira estava dominada por simbolismo e parnasianismo, dos quais o poeta paraibano herdou algumas características formais, mas não de conteúdo. A incapacidade do homem de expressar sua essência através da “língua paralítica” (Anjos, p. 204) e a tentativa de usar o verso para expressar da forma mais crua a realidade seriam sua apropriação do trabalho exaustivo com o verso feito pelo poeta parnasiano. A erudição usada apenas para repetir o modelo formal clássico é rompida por Augusto dos Anjos, que se preocupa em utilizar a forma clássica com um conteúdo que a subverte, através de uma tensão que repudia e é atraída pela ciência.

    A obra de Augusto dos Anjos pode ser dividida, não com rigor, em três fases, a primeira sendo muito influenciada pelo simbolismo e sem a originalidade que marcaria as posteriores. A essa fase pertencem Saudade e Versos Íntimos. A segunda possui o caráter de sua visão de mundo peculiar. Um exemplo dessa fase é o famigerado soneto Psicologia de um Vencido. A última corresponde a sua produção mais complexa e madura, que inclui Ao Luar.

    Sua poesia chocou a muitos, principalmente aos poetas parnasianos, mas hoje é um dos poetas brasileiros que mais foram reeditados. Sua popularidade se deveu principalmente ao sucesso entre as camadas populares brasileiras e à divulgação feita pelos modernistas.

    Hoje em dia diversas editoras brasileiras publicam edições de Eu e Outros Poemas.

    Sua linguagem orgânica, muitas vezes cientificista e agressivamente crua, mas sempre com ritmados jogos de palavras, idéias, e rimas geniais, causava repulsa na crítica e no grande público da época. Eu somente apresentou grande vendagem anos após a sua morte.

    Muitas divergências há entre os críticos de Augusto dos Anjos quanto à apreciação de sua obra e suas posições são geralmente extremas. De qualquer forma, seja por ácidas críticas destrutivas, seja através de entusiasmos exaltados de sua obra poética, Augusto dos Anjos está longe de passar despercebido.

    O aspecto melancólico da sua poesia, que a marca profundamente, é interpretado de diversas maneiras. Uma vertente de críticos, na qual se inclui Ferreira Gullar, fundamenta a melancolia da obra na biografia do homem Augusto dos Anjos. Para Gullar, as condições de nossa cultura dependente dificultam uma expressão literária como a de Augusto dos Anjos, em que se rompe com a imitação extemporânea da literatura européia. Essa ruptura de Augusto dos Anjos ter-se-ia dado menos por uma crítica à literatura do que por uma visão existencial, fruto de sua experiência pessoal e temperamento, que tentou expressar na forma de poesia. A poesia de Augusto dos Anjos é caracterizada por Gullar como apresentando aspectos da poesia moderna: vocabulário prosaico misturado a termos poéticos e científicos; demonstração dos sentimentos e dos fenômenos não através de signos abstratos, mas de objetos e ações cotidianas; a adjetivação e situações inusitadas, que transmitem uma sensação de perplexidade. Ele compara a miscigenação de vocabulário popular com termos eruditos do poeta ao mesmo uso que faz Graciliano Ramos. Descreve ainda os recursos estilísticos pelos quais Augusto dos Anjos tematiza a morte, que é personagem central de sua poesia, e o compara a João Cabral de Melo Neto, para quem a morte é apresentada de forma crua e natural.

    Outros, Como Chico Viana, procuram explicar a melancolia através dos conceitos psicanalíticos. Para Sigmund Freud, a melancolia é um sentimento parecido com o luto, mas se caracteriza pelo desconhecimento do melancólico a respeito do objeto perdido. A origem da melancolia da poesia de Augusto dos Anjos estaria, para alguns críticos, em reflexões de influências politica com os problemas de sua família, e num conflito edipiano de sua infância.

    Há ainda aqueles que tentam analisar a poesia de Augusto dos Anjos baseada em sua criatividade como artista, de acordo com o conceito da melancolia da criatividade do crítico literário norte-americano Harold Bloom. O artista seria plenamente consciente de sua capacidade como poeta e de seu potencial para realizar uma grande obra, manifestando, assim, o fenômeno da “maldição do tardio”. Sua melancolia viria da dificuldade de superar os “mestres” e realizar algo novo. Sandra Erickson publicou um livro sobre a melancolia da criatividade na obra de Augusto dos Anjos, no qual chama especial atenção para a natureza sublime da poética do poeta e sua genial apropriação da tradição ocidental. Segundo a autora, o soneto é a égide do poeta e, munido dele, Augusto dos Anjos consegue se inserir entre os grandes da tradição ocidental.

    De forma geral, no entanto, sua poesia é reconhecidamente original. Para Álvaro Lins e para Carlos Burlamaqui Kopke, sua singularidade está ligada à solidão, que também caracteriza sua angústia. Eudes Barros, em seu livro A Poesia de Augusto dos Anjos: uma Análise de Psicologia e Estilo, nota o uso inusitado dos adjetivos por Augusto dos Anjos, e qualifica seus substantivos como extremamente sinestésicos, criando dimensões desconhecidas para a adjetivação convencional. Manuel Bandeira destaca o uso das sinéreses como forma de representar a impossibilidade da língua, ou da matéria, para expressar os ideais do espírito. Portanto, os recursos estilísticos de Augusto dos Anjos se reconhecem como geniais.

    As imagens da obra poética de Augusto dos Anjos se caracterizam pela teratologia exacerbada, por imagens de dor, horror e morte. O uso da racionalidade, e assim da ciência, seria uma forma de superar a angústia da materialidade e dos sentimentos. Mas a Ciência, que marca fortemente sua poesia, seja como valorizada ou através de termos e conceitos científicos, também lhe traz sofrimento, como nota Kopke. É marcante também a repetição de temas nessa poesia, e um sentimento de solidariedade universal, ligado à desumanização da natureza e até do próprio humano, o que reduziria todos os seres a uma só condição.

    Os contrastes peculiarizam seus temas. Idealismo e materialismo, dualismo e monismo, heterogeneidade e homogeneidade, amor e dor, morte e vida, “Tudo convém para o homem ser completo”, como diz o próprio poeta em Contrastes.

    • Um exemplar do Eu faz parte da biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, por causa dos termos científicos que Augusto dos Anjos utilizava em suas composições.
    • “Eu e outras poesias” (disponível gratuitamente em PDF) é a reunião do livro “Eu” (publicado em vida) a outras poesias que foram acrescentadas postumamente à obra.

    É patrono da cadeira número 1 da Academia Paraibana de Letras, que teve como fundador o jurista e ensaísta José Flósculo da Nóbrega e como primeiro ocupante o seu biógrafo Humberto Nóbrega, sendo ocupada, atualmente, por Altimar de Alencar Pimentel.

    A Cidade Sitiada, de Clarice Lispector

    Em 1971, Clarice Lispector disse ao jornal Correio da Manhã que A cidade sitiada, de 1949, foi seu livro mais difícil de escrever. Clarice desumaniza ao máximo seus personagens para torná-los visceralmente humanos.

    A simplória Lucrécia, de A cidade sitiada, docemente desprovida de raciocínio e/ou de consciência, é alma gêmea de Macabéa, que muitos já viram na versão cinematográfica A hora da estrela. Lucrécia é apenas o que ela vê: os cavalos a esmo na suburbana cidade natal de São Geraldo, o morro do Pasto, o armazém, o sol sem vento da tarde.

    Lucrécia portanto era São Geraldo. Sua alma, suas emoções eram o tédio do subúrbio. Ela tinha um vago desejo de se casar e, por isto, passeava com o tenente Felipe, do qual gostava da farda militar, mas ele não gostava de São Geraldo, logo não gostaria de Lucrécia. Saía com Perceu Maria, que desprezava talvez por ser atônito e vazio como ela. Mas nenhum dos dois a pedia em casamento e, quando a agonia do coração de Lucrécia batia em descompasso com a modorra da cidade, ela sonhava com um baile. Um baile com música e danças seria a salvação.

    Por pura catatonia, restou a Lucrécia o casamento com Mateus Correia, comerciante rico e bem mais velho, por iniciativa da mãe, Ana, à qual não oferecera entusiasmo ou resistência. Esta era a marca da relação de Lucrécia com a mãe e com o mundo: – O meu passarinho fica mais bonito na prateleira de cima da cristaleira. Vê-se muito mais, hem, menina – dizia Ana, em seu mais denso diálogo de uma tarde muda.

    Mas era apenas um modo de ver; e nada mais, pensava Lucrécia, sem saber que pensava e tampouco o que era o pensamento. Às vezes tinha rasgos perceptivos que expressava em um “Mamãe, como nossa vida é triste”. A ação de Lucrécia é sitiada por algo misterioso que a faz seguir a vida “apenas vendo”. E sua história é uma colagem de contos que a autora transforma em capítulos em cronológica seqüência. Depois do casamento, Lucrécia continuou a ver diariamente o movimento do trânsito, da construção de um viaduto, das aranhas fazendo suas teias, os mosquitos. Via o marido e suas preocupações domésticas. Amava-o? Depois da morte de Mateus, Lucrécia, menos sitiada mas ainda não liberta, vai em busca de um homem de bom coração. Mas para ela o amor era difícil. Ela não o via e, portanto, não sabia o que era o amor.

    Numa atmosfera de silêncio e isolamento, vive Lucrecia. Escrito em Berna, por Clarice Lispector, e publicado em 1949, o romance é uma espécie de inventário da monotonia. No início, Lucrecia está a procura de um marido capaz de livrá-la do tédio na pequena cidade, o subúrbio de São Geraldo – onde o silêncio é sepulcral – e levá-la para a metrópole. Depois da morte do marido, contudo, ela retorna à vida e de lá espera por alguma outra coisa – algum outro homem talvez – que pudesse novamente “salvá-la” da rotina.

    A simplicidade do enredo reflete-se na simplicidade da técnica narrativa. Dividido em doze capítulos, o texto é construído por frases curtas, marcadas mais por pontos finais do que por vírgulas. Não há fluxo da consciência, nem surpresas poéticas no curso das sentenças. O universo da narração, igualmente marcado pelo silêncio, parece estreito e plano como uma paisagem que jamais se modifica.

    A narrativa, em terceira pessoa, é pontuada por capítulos separados em títulos. A ordem estrutural reflete a organização do mundo narrado – uma ordem tranqüila e silenciosa, onde nada se esquivava. Quanto à escritura, tem-se uma economia de retenção do texto e não, como se poderia esperar de uma escrita deliberadamente feminina, um texto livre, solto e inspirado, como acontece em Perto do coração selvagem, no qual pode-se ver nitidamente a expressão do que Hélène Cixous chama de economia da feminilidade – por excelência aberta, extravagante e corajosamente subjetiva, como uma voz reverberando ao longo do discurso.

    Em A cidade Sitiada, entretanto, a voz da protagonista se cala e é através do olhar que ela se comunica com o ambiente ao seu redor, tal como um forasteiro em uma cidade desconhecida que “conquista” a realidade com os olhos, pois ainda é incapaz de articular a linguagem dos nativos. Como diz o texto: “Lucrecia Neves talvez quisesse exprimi-lo, imitando com o pensamento o vento que bate portas – mas faltava-lhe o nome das coisas’.

    Sua forma de expressão reduz-se a olhar bem – “[…] tudo o que Lucrecia Neves podia conhecer de si mesma estava fora dela: ela via”; “entre bocejos incessantes também ela quereria assim exprimir sua modesta função que era: olhar”. Os diálogos são curtos, marcados por frases pontilhistas, e há um grande silêncio, cheio de tédio e monotonia, envolvendo o texto, no qual Lucrecia, como as demais, é uma mulher sitiada, prisioneira da palavra que não possui.